Rio de Janeiro, 03 de Fevereiro de 2026

Náufragos relembram o drama vivido no mar

Depois de passarem quatro dias à deriva no mar, o marinheiro Milson Pedro da Silva, 45, e o instrutor de mergulho Gustavo Henrique Burati, 28, deixaram para trás o desespero e a angústia, para dar lugar a sorrisos e abraços dos familiares. Eles foram resgatados na quinta-feira à noite do barco de pesca Bita I que desapareceu de Fernando de Noronha na segunda-feira e chegaram ontem por volta das 9h na Base Naval de Natal. Aliviados e, finalmente, em terra firme, os dois puderam contar os momentos que passaram e as lições aprendidas depois de tantas dificuldades. (Leia Mais)

Domingo, 08 de Julho de 2007 às 13:14, por: CdB

Depois de passarem quatro dias à deriva no mar, o marinheiro Milson Pedro da Silva, 45, e o instrutor de mergulho Gustavo Henrique Burati, 28, deixaram para trás o desespero e a angústia, para dar lugar a sorrisos e abraços dos familiares. Eles foram resgatados na quinta-feira à noite do barco de pesca Bita I que desapareceu de Fernando de Noronha na segunda-feira e chegaram neste sábado na Base Naval de Natal. Aliviados e, finalmente, em terra firme, os dois puderam contar os momentos que passaram e as lições aprendidas depois de tantas dificuldades.

Na última segunda-feira, os dois tripulantes - que trabalham em Fernando de Noronha para a empresa de mergulho Atlantis Divers - aproveitaram as horas de folga para pegar emprestado com um amigo o Bita I da Associação de Pescadores do Arquipélago de Fernando de Noronha (Anpesca). Os dois pretendiam pescar um pouco mais adiante da ilha e saíram às 9h com a expectativa de retornar às 18h. Porém, ao meio-dia foram surpreendidos com uma pane do motor.

— De início, ficamos tranqüilos porque estávamos próximos da ilha e esperávamos que alguém logo nos resgatasse — conta o marinheiro Milson.

No entanto, uma nova surpresa desagradável: a correnteza e os ventos começaram a afastar o barco da arquipélago, deixando-os cada vez mais distante das possibilidades de um resgate rápido. A falta de estrutura da embarcação, que possui apenas sete metros de comprimentos, foi outro complicador. Sem iluminação ou equipamentos de rádio-comunicação, o Bita I foi visto pela última vez pela administração de Fernando de Noronha às 14h de segunda-feira.

Devido ao pouco tempo que esperavam passar no mar, Milson e Gustavo não tinham muita comida no barco - apenas macarrão e um peixe pescado -, apesar de água potável não ter sido problema. O marinheiro conta que começaram então a racionar a alimentação, mas a ausência de um botijão de gás para esquentar a ração foi outro problema. Quem encontrou a solução foi Gustavo.

— Peguei um pouco de óleo do barco e coloquei em uma panela. Depois, fui rasgando alguns pedaços de outra camisa que eu tinha levado, botava fogo, e jogava na panela para podermos preparar a comida.

Os dois chegaram a ver as luzes de barcos de resgate à noite, passando ao longe, mas não tinham como sinalizar. Ficavam sempre na esperança de um resgate rápido que nunca vinha. Por fim, no início da noite de quinta-feira, eles foram vistos pelo barco de pesca Iara e, em seguida, levados ao navio-patrulha Graúna, da Marinha.

Calma

Embora tenha passado por tantos problemas, ontem pela manhã, o marinheiro Milson era o mais tranqüilo dos dois resgatados. Ele já tinha passado por um problema semelhante há alguns anos, quando o motor do barco em que estava quebrou no caminho de Recife para Noronha.

— Fiquei cinco dias no mar. Eu brincava com ele e procurava dizer que iríamos ser resgatados logo.

Com quase 30 anos trabalhando como marinheiro, ele pensa em voltar para o mar.

— É a minha vida, de onde tiro meu sustento. Passei por momentos difíceis, mas não tenho medo de trabalhar no mar.

Ainda um pouco agitado, Gustavo só queria trocar de roupa e escovar os dentes. O irmão dele e amigos da empresa Atlantis foram ontem pela manhã abraçá-lo, juntamente com o companheiro Milson.

— Tinha hora que eu não acreditava se era verdade, me desesperava. Pensava na minha família o tempo todo e rezava para ser salvo logo.

Gustavo disse que a experiência serviu de lição para não se arriscar mais em um barco sem segurança.

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