Rio de Janeiro, 22 de Maio de 2026

Nasce primeira divergência entre governo Lula e FMI

Sábado, 12 de Abril de 2003 às 17:37, por: CdB

A lua-de-mel entre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Fundo Monetário Internacional (FMI) parece ter acabado. Explodiu nesta sexta-feira a primeira crise de uma relação que tinha começado com muitos afagos e elogios de ambos os lados. O motivo: o anúncio de que o governo ajustará, a partir de 2005, as metas fiscais fixadas no Orçamento da União ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), o chamado "mecanismo anticíclico", divulgado, na quinta-feira, pelo ministro do Planejamento, Guido Mantega. Questionado sobre a proposta brasileira, o diretor-gerente do FMI, Horst Köhler foi taxativo. "O governo Lula não deve recorrer a truques. A transparência no Orçamento é o mais importante fator para conseguir credibilidade nos mercados. Até agora, o governo (Lula) tem seguido essa linha e não tenho dúvidas de que continuará a fazê-lo", disse. A resposta a Köhler foi imediata e partiu direto de Mantega. "O FMI não tem que dizer ao presidente Lula o que ele tem de fazer. A proposta (do Brasil) ainda não foi entendida pelo Fundo", disparou o ministro o Planejamento, alegando que o superávit contracíclico permitirá ao governo ampliar os gastos na área social. Apesar de muito contrariado com as declarações de Köhler, Mantega disse não esperar repercussão negativa nos mercados e nos organismos internacionais. "Eu acho que não vai haver reclamações", afirmou. Mas, nos diversos encontros que manteve em Washington - três deles na sede do FMI -, onde participa do encontro de Primavera promovido pelo Fundo e o Banco Mundial, o ministro da Fazenda, Antônio Palocci não teve como fugir do debate sobre o assunto. Palocci não escondeu sua frustração. Ele sabe que o momento ainda é delicado para o governo anunciar medidas que possam gerar algum tipo de desconfiança junto aos investidores. Assessores próximos do ministro não descartam uma possível crise no governo, já que a proposta do superávit contracíclico poderia ficar fora do debate atual. A medida, divulgada por Mantega e endossada no Senado pelo líder do governo na Casa, Aloizio Mercadante (SP), soou como ação de uma ala de economistas que tenta criar um contraponto ao grande poder que Palocci adquiriu no governo. Há também uma corrente achando que o jogo está combinado e que chegou a hora de Lula marcar suas diferenças na economia.

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