Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Napster de notícias' vai driblar censura, diz professor

Até 2010, arquivos de notícias vão ser trocados da mesma maneira que os de música são hoje, para driblar a censura dos meios de comunicação.A previsão é do professor Ross Anderson, da Universidade de Cambridge, nos Estados Unidos, e um dos criadores do conceito de troca de arquivos peer-to-peer (P2P) - a forma popularizada por programas como Napster e Kazaa.(Leia Mais)

Sábado, 10 de Abril de 2004 às 06:31, por: CdB

Até 2010, arquivos de notícias vão ser trocados da mesma maneira que os de música são hoje, para driblar a censura dos meios de comunicação.

A previsão é do professor Ross Anderson, da Universidade de Cambridge, nos Estados Unidos, e um dos criadores do conceito de troca de arquivos peer-to-peer (P2P) - a forma popularizada por programas como Napster e Kazaa.

Para ele, no futuro as pessoas vão publicar notícias através de serviços P2P da mesma maneira que hoje elas o fazem com canções em MP3.

O objetivo, segundo o especialista, seria cobrir assuntos que atualmente são ignorados pelos principais provedores de informação do mundo.

"Atualmente, só as notícias que se julgam ser de interesse de americanos e europeus ocidentais são transmitidas para todo o mundo, porque é aí que está o dinheiro", afirmou à BBC o professor Anderson.

Prioridades

"No entanto, se alguma coisa acontece no Peru que é de interesse das pessoas na China ou no Japão, isso jamais será prioridade nas agências de notícias."

O americano acredita que a troca de notícias vai possibilitar a quebra desse controle sobre as prioridades noticiosas - permitindo a uma estação de rádio ou jornal local falar com quem seja de interesse -, tornando o processo de comunição mais eficiente.

Para transformar esse sonho em realidade, o especialista propõe uma atualização da atual versão da Usernet, a internet de notícias.

Anderson não acredita que esse tipo de serviços vá ser seqüestrado por criminosos e terroristas.
Para ele, órgãos reguladores como a Internet Watch Foundation, que monitora o abuso de crianças na internet, poderiam fiscalizar isso facilmente.

Acordos internacionais

No entanto, para que isso funcione, seriam necessários vários e importantes acordos internacionais de cooperação.

"O efeito de redes de peer-to-peer será dificultar a censura, não impossibilitá-la", alerta o professor.

"Se há material que todos concordam ser pernicioso, como pornografia infantil, então é possível rastreá-lo e encontrar os culpados. Mas, se há material que apenas os governos acreditam ser pernicioso, me desculpem, mas azar o deles."

O analista de tecnologia Bill Thompson gostou das idéias de Anderson para enfraquecer o poder dos provedores internacionais de notícias.

Para ele, esse tipo de sistema P2P daria a todos uma voz e permitiria que testemunhos pessoais viessem à tona.

Tecnologia

No entanto, para Thompson, a tecnologia que vai tornar isso possível e acessível a todos ainda deve levar mais tempo para ser criado do que imagina o professor Anderson.

Para ele, Anderson subestima os obstáculos políticos diante dessa evolução, e o professor também não teria se aprofundado suficientemente na questão da censura.

"Uma vez construída a tecnologia para burlar a censura, você acaba com ela. Mesmo para coisas que você quer censurar", diz o analista.

"Dizer que você pode controlar algumas partes, como imagens de abuso infantil, é ser forçadamente otimista. E isso é algo que os defensores do peer-to-peer têm que encarar", conclui Bill Thompson.

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