O presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu nesta quinta-feira em defesa do etanol brasileiro, rejeitando a sugestão de que a produção do biocombustível esteja criando pressões inflacionárias nos alimentos.
— Não me venham dizer que (o culpado pela inflação) é o etanol —, comentou Lula, que está em viagem oficial de três dias a Holanda e República Checa.
A relação entre o etanol brasileiro e a alta dos preços dos alimentos no mundo ocuparam a atenção de jornalistas brasileiros e holandeses na entrevista coletiva de Lula e do primeiro-ministro da Holanda, Jan Peter Balkenende, em Haia, embora o propósito da visita fosse atrair investimentos para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Para Lula, os preços dos alimentos têm subido porque "os pobres do mundo começaram a comer".
— Tem mais chineses comendo no mundo, mais indianos comendo no mundo, mais brasileiros comendo no Nordeste e na periferia do país, mais latino-americano comendo, mais gente de países pobres comendo, tem mais gente na África comendo. E tudo isso gera pressão nos alimentos —, disse.
— Eu estou convencido de que o mundo precisa produzir mais alimentos. Todos nós temos de dar graças a Deus que o mundo está comendo mais —, completou.
Desde o ano passado, os preços dos alimentos aumentaram em média 40% nos mercados mundiais, e os de matérias-primas básicas duplicaram. Em alguns países da África e no Haiti, a alta do preço dos alimentos tem gerado violência. A ONU manifestou preocupação com a questão nesta semana.
Ecologia
Lula rejeitou críticas de que a produção de etanol causa desmatamento e substitui plantações de alimentos por colheitas para a produção de matéria-prima energética.
Segundo o presidente, dos 851 milhões de hectares que o Brasil tem, 400 milhões são aráveis. Deste número, 60 milhões de hectares poderiam ser usados para expansão do etanol, já que se trata de terras degradadas pela pecuária.
O primeiro-ministro da Holanda, Jan Peter Balkenende, foi cauteloso ao falar sobre a relação entre os biocombustíveis e a alta dos alimentos no mundo.
— A inflação é um problema que está preocupando vários países, inclusive a Holanda —, disse o premiê holandês.
— A questão da sustentabilidade tem gerado grande tensão. Imagine que aqui na Holanda estamos abaixo do nível do mar. Então as questões em torno da mudança climática e da sustentabilidade são muito importantes para os holandeses —, disse.
— Temos que levar em conta os aspectos ecológicos dos biocombustíveis —, completou.
Os biocombustíveis acabaram, sem querer, dominando a agenda da viagem de Lula à Holanda até o momento.
O presidente também fez uma defesa do etanol brasileiro aos presidentes das Câmaras baixa e alta do Parlamento holandês, segundo o Ministro da Indústria, Comércio e Desenvolvimento, Miguel Jorge.
O ministro disse que Lula falou aos parlamentares holandeses sobre a diferença entre o etanol americano e o brasileiro. O produto do Brasil é feito a partir da cana e, segundo Lula, mais ecológico e econômico.
Não venham culpar o etanol, diz Lula sobre inflação de alimentos no mundo
Quinta, 10 de Abril de 2008 às 14:14, por: CdB