Luiz Felipe Scolari concedeu, nesta terça-feira, sua última entrevista coletiva antes da semifinal da Eurocopa contra a Holanda, marcada para esta quarta-feira, no estádio José Alvalade, em Lisboa. Embora esteja confiante e reconheça a vantagem de jogar em casa, o técnico rejeita qualquer favoritismo. "As duas seleções têm números parecidos em passes, posse de bola e chutes a gol. É quase tudo igual", disse.
Scolari elogiou a equipe holandesa, dizendo que esta é a melhor seleção que o país produziu desde 1988, e aproveitou para chamar a atenção do árbitro sueco Anders Frisk para alguns lances específicos que observou na tática de jogo da Holanda, como, por exemplo, o impedimento passivo a que o atacante Nistelrooy sempre se submete, deixando outros companheiros em condição de marcar.
Confira na íntegra a entrevista no técnico brasileiro:
Scolari, com que espírito você encara esta semifina contra a Holandal?
Com a satisfação de estar entre os quatro semifinalistas. Mas ainda não ganhamos nada e queremos estar na final. Peço aos portugueses que vistam o vermelho e o verde para fazermos frente ao laranja (dos holandeses).
Que tal a Holanda ?
É a melhor Holanda desde 1988, quando eles foram campeões europeus. Tem uma forma de jogar interessantíssima, com muitos talentos individuais e excelente qualidade técnica. Mas nós vamos tentar complicar o trabalho dos jogadores deles. Só com muita superação para chegarmos à final. Se não tivermos organização e boa marcação, correremos riscos.
Por que acha que Portugal vai vencer amanhã?
Trabalho em Portugal, logo aposto em meus jogadores. Mas do outro lado há um adversário muito forte. Nas semifinais, há quatro grandes equipes e será a qualidade que definirá os vencedores. Contra a Holanda, por exemplo, há muito equilíbrio nas estatísticas. As duas seleções têm números parecidos em passes, posse de bola e chutes a gol. É quase tudo igual.
Se a seleção não ganhar terá fracassado?
Não acho. A nossa promessa era estar entre os quatro finalistas, e essa os atletas me ajudaram a cumprir. Agora, o objetivo é outro e há muito equilíbrio.
Não há um clima de euforia exagerada em Portugal?
Teremos de ter os pés no chão. Será um jogo decidido no campo e muito duro. Nós queremos estar na final, eles também. Há uma grande euforia por parte do público e da imprensa, mas quero que meus atletas entrem em campo e façam o seu melhor. Se tivermos qualidade de jogo superior, poderemos vencer. Se não conseguirem, mas fizerem o seu melhor, terão o meu carinho.
Como escapar do sufoco de ter que correr atrás do resultado, uma constante até aqui na campanha de Portugal?
Tentaremos não tomar gols no começo do jogo, como aconteceu contra a Grécia e depois contra a Inglaterra. Se conseguirmos, poderemos colocar o nosso esquema em prática. O importante será não errarmos.
Você passará para a história se conseguir colocar Portugal numa final, pela primeira vez na sua história. O que sente?
Eu não quero ser história. Quero é fazer parte de um grupo que fará história.
Há um estigma de que Portugal nunca consegue passar da semifinal?
Se há, queremos mudar esta história. Vamos dar tudo. Mas é preciso saber que do outro lado também há uma grande seleção, com a mesma disposição.
Como driblar o descontentamento de jogadores que são substituídos?
Lido bem com isso e entendo que quem é substituído sai chateado de campo. Isso faz parte do futebol. Mas eu tenho de assumir responsabilidades, e Portugal tem 23 jogadores inscritos para este campeonato. Observo o jogo e faço as mudanças que julgo necessárias. Se errar na substituição, sou o responsável. Se der certo, sou mais um do grupo.
Há pontos fracos na Holanda?
Fico abobado quando alguém diz ou escreve uma coisa destas. Eles são um time forte, com habilidade, força e jogadas pelos flanc
"Não somos favoritos contra a Holanda", afirma Felipão
Terça, 29 de Junho de 2004 às 15:06, por: CdB