Em pronunciamento feito durante entrevista coletiva à imprensa nesta quinta-feira à noite, o presidente George W. Bush preparou o público norte-americano para a possibilidade de ter que decidir, em breve espaço de tempo, usar força militar contra o Iraque. Bush convocou a entrevista coletiva, a oitava de sua administração, por julgar, segundo assessores, que havia chegado a hora de falar diretamente sobre questões que, sabe, estão preocupando a imprensa e a opinião pública, em particular o problema da legitimidade da guerra. O presidente achou oportuno também usar a entrevista coletiva para dar uma visão otimista sobre os avanços no combate ao terrorismo, com a prisão de importantes membros da organização Al Qaeda, de Osama bin Laden. Bush decidiu deixar claro que "decisões cruciais" sobre o uso de força militar estão para ser tomadas e a curto prazo. "Chegamos ao estágio final dos esforços diplomáticos", disse. O presidente usou a oportunidade para, como fez na véspera o secretário de Estado norte-americano Colin Powell, apresentar informações novas sobre os programas de armas de destruição em massa do Iraque. Em particular, Bush citou o fato de o Iraque estar agora escondendo armas de destruição em massa em caminhões antigos, em bairros pobres, e que também montava mais mísseis, embora levado alguns Samoud 2 para destruição perante os inspetores da ONU. Indagado sobre o que pensava da oposição mundial à política da Casa Branca, em particular da França e da Alemanha, e por que tantos no mundo estavam considerando o Governo Bush como arrogante, o presidente norte-americano disse que respeitava opiniões divergentes, mas ressaltou que a resolução 1441 do Conselho de Segurança da ONU sobre o Iraque foi votada por 15 a 0. Bush disse ainda que o fato de França e Alemanha estarem manifestando opiniões diversas não significava que deixasse de considerar esses dois países como amigos. "Discordamos em como lidar como Saddam Hussein, mas continuamos amigos", disse. O presidente acrescentou que considerava o Iraque um "catalisador para mudança", e que a mudança de regime em Bagdá ajudaria a que se promovesse uma nova ordem na região. Interrogado se consideraria vitória em um conflito armado que terminasse sem que Saddam Hussein tivesse sido localizado, Bush disse que haverá mudança de regime em Bagdá inevitavelmente, em caso de guerra. "Se formos à guerra, vamos desarmar o Iraque e haverá mudança de regime", disse. Quanto ao fato de uma ação unilateral representar um desafio à ONU, Bush afirmou que seu governo não desconsiderava a instituição internacional. "Não somos desafiadores da ONU", afirmou. "Nós levamos a questão do Iraque à ONU". Bush deixou claro, contudo, que se tiver que agir, vai agir, sem achar que precisa de autorização da ONU. "Não preciso de autorização de ninguém para defender a segurança dos Estados Unidos", acrescentou. Interrogado sobre a Coréia do Norte, que começou segundo informes de inteligência, a produzir armas nucleares, o presidente disse que essa questão era regional e deveria ser tratada junto com países aliados da região.
"Não preciso de autorização para defender a segurança dos EUA", diz Bush
Sexta, 07 de Março de 2003 às 05:18, por: CdB