Rio de Janeiro, 23 de Outubro de 2026

Não há risco de desabastecimento de gás na Bolívia, diz presidente da Argentina

Terça, 05 de Agosto de 2008 às 17:12, por: CdB

Após suspender sua viagem ao departamento boliviano de Tarija, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, manifestou preocupação em relação à situação no país vizinho e negou que exista algum risco iminente de desabastecimento de gás na Bolívia.

- Não há perigo, de forma alguma, na provisão de gás, porque existem contratos firmados. Acredito que vai haver estabilidade. Não vai haver nenhum problema, porque confio plenamente que as instituições funcionam e que todos respeitam a Constituição - disse, acompanhada pelo ministro argentino de Relações Exteriores, Jorge Taiana.

O presidente boliviano Evo Morales aguardava não apenas Cristina, mas também o líder venezuelano Hugo Chávez, que chegou na última segunda-feira a Buenos Aires para uma visita de Estado e um encontro trilateral com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Cristina reconheceu, entretanto, que na medida em que as instituições democráticas de qualquer país são afetadas, a estabilidade da nação também sofre. A Bolívia vive um momento de crise política, desde o ano passado, e está dividida entre uma Constituição que vários departamentos renegam e os estatutos de autonomia, considerados ilegais por La Paz.

Diante da confirmação do referendo revogatório de mandato pela Corte Nacional Eleitoral da Bolívia – marcado para o próximo dia 10 –, ela defendeu a gestão de Evo Morales e avaliou que o líder boliviano é “um presidente eleito pelo povo” e que se submete a um referendo previsto na Constituição.

Em janeiro deste ano, o governo boliviano e as nove províncias do país chegaram ao acordo de realizar um referendo revogatório, caso não se chegasse a um consenso sobre o Imposto Direto de Hidrocarbonetos (IDH) e sobre a compatibilidade entre a nova Constituição e os estatutos autonômicos.

A idéia do referendo surgiu por iniciativa de Evo Morales. No domingo, o presidente e nove prefeitos (equivalentes aos governadores brasileiros), colocarão os mandatos à disposição dos eleitores, que dirão se eles devem continuar em seus cargos ou não. Quem receber menos votos do que teve quando foi eleito perderá o mandato.

- Estava disposta a viajar para a Bolívia quando se produziram episódios que são de conhecimento público e decidimos não ir. Quero manifestar nosso desejo da mais rápida normalização [na Bolívia]. Seguramente, haverá uma nova oportunidade de visita para poder firmar um acordo muito importante para o povo boliviano e o povo argentino e definitivo para a articulação da equação energética - disse.

Esta foi a segunda coletiva de imprensa da presidente Cristina durante os quase sete meses de gestão. A primeira ocorreu no último sábado, quando ela fez um balanço de seu governo. O ex-presidente da Argentina e marido de Cristina, Néstor Kirchner, não chegou a promover nenhum encontro para maiores esclarecimentos à imprensa durante seu mandato.

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