Os franceses rejeitaram a Constituição da União Européia (UE) neste domingo por uma série de razões, mas nem todas ligadas ao conteúdo da Carta.
Algumas pessoas recusaram-se a ter um modelo econômico imposto pela UE, a qual, segundo elas, colocaria os interesses de mercado à frente das questões sociais.
Outras afirmam que o tratado faz muito pouco para proteger os trabalhadores e poderia encorajar um fluxo de mão-de-obra mal paga de novos membros da UE, do Leste Europeu, rumo à França.
Algumas simplesmente ressentiram-se da pressão de líderes franceses ou da UE, a quem consideram desconectados da realidade. Muitas quiseram mostrar sua insatisfação com o alto desemprego, o corte de gastos pelo governo e outros problemas econômicos.
- É uma condenação à política econômica do governo. Mostra a frustração com o desemprego e a ansiedade com a situação econômica - afirmou Mariette Sineau, uma cientista política da Universidade de Ciências Políticas de Paris.
- É uma enorme pancada na cara para o presidente (Jacques Chirac), acima de tudo. Foi ele quem pediu o referendo e esteve...em campanha pelo 'Sim' - ressaltou.
Muitos eleitores expressaram sua mágoa com o que vêem como um papel em declínio da França na UE, especialmente com a expansão para 25 membros no ano passado. Além disso, eles encaram a Constituição como parte de uma trama para impor o modelo econômico britânico e norte-americano a eles.
- O principal é que (os franceses) pensam que a União Européia é burocrática e não-democrática - observou Emmanuel Le Masson, cientista político na cidade de Aix-en-Provence.
Para ele, muitos franceses também julgaram o texto como incrivelmente complicado.
- Eles disseram que não queriam aquela (Constituição), queriam uma que poderiam usar ou, ao menos, entender - acrescentou.
Algumas pessoas também afirmaram que a Constituição preparava o caminho para a Turquia muçulmana integrar a UE.