Carla Cepollina, namorada do coronel Ubiratan Guimarães, encontrado morto na noite de domingo, foi à sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de São Paulo. Ela prestou depoimento sobre o crime, já que teria sido a última pessoa a deixar o apartamento onde o corpo foi encontrado.
O coronel Ubiratan era deputado estadual pelo PTB de São Paulo e candidato à reeleição. Ele coordenou a invasão do presídio do Carandiru em 1992, com o saldo de 111 presos assassinados. Ubiratan foi encontrado morto com um tiro no abdômen em seu apartamento neste domingo à noite, no bairro paulistano dos Jardins.
A polícia acredita que a morte se tratar de um homicídio, provocado por uma pessoa próxima à vítima, já que a porta da área de serviço do apartamento estava aberta e nada foi roubado.
O advogado de Ubiratan e deputado federal pelo PTB paulista, Vicente Cascione, compareceu ao prédio e reiterou a suspeita de que uma pessoa próxima assassinou o coronel. Ele ressaltou que não há indícios de execução.
Julgamento
Devido ao massacre do Carandiru, Ubiratan chegou a ser condenado a 632 anos de prisão pela morte de presos no pavilhão 9, mas em fevereiro passado o Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo aceitou recurso e o absolveu. A decisão gerou protestos de órgãos nacionais e internacionais de defesa dos direitos humanos.
O argumento de que o coronel agiu no "estrito cumprimento do dever" ao dar a ordem para que os policiais militares invadissem o pavilhão 9 do Carandiru foi aceito pelos desembargadores do Órgão Especial do TJ-SP.
Ubiratan foi acusado de excesso ao reprimir a rebelião na penitenciária. A ação policial deixou 111 mortos. O coronel foi responsabilizado diretamente por 102 mortes.
Ubiratan Guimarães passou por todos os postos da hierarquia militar, sempre preferindo as unidades de policiamento nas ruas: Comandante do 1º Batalhão de Choque (Rota), do Regimento de Cavalaria 9 de Julho e do Policiamento Metropolitano.