Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

'Nada temos a agradecer pelo perdão da dívida externa', diz Ortega

Terça, 20 de Julho de 2004 às 01:17, por: CdB

O líder máximo sandinista, Daniel Ortega, disse, na últma segunda-feira, que a Nicarágua "não tem nada a agradecer" pelo perdão da dívida externa deste país, calculada em 6,5 bilhões de dólares.

Ortega fez esta afirmação durante um discurso de quase duas horas em comemoração do 25º aniversário da revolução sandinista -diante de uma multidão de mais de 100.000 pessoas, segundo seus organizadores- na praça da Fé João Paulo II, em Manágua.

O líder da oposição disse que esta dívida externa da Nicarágua foi imposta pelos organismos financeiros internacionais e que, portanto, "é imoral e criminal".

- A dívida (externa) é uma maneira de assaltar os povos com os interesses que impõem, parecidos com os que os bancos fazem aos camponeses e, por isso, nada temos a agradecer quando se fala de perdão da dívida externa - disse Ortega.

No início deste ano, o presidente da Nicarágua, Enrique Bolaños, conseguiu fazer com que o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM) perdoassem 87 por cento da dívida externa deste país.

O líder da oposição exigiu a "democratização do poder" por meio de assembléias populares nos municípios e departamentos do país, para tirar protagonismo do presidente, dos ministros, dos deputados e prefeitos de todas as tendências políticas de Nicarágua.

- É preciso mudar o sistema, e acabar com o presidencialismo, mas não com um sistema parlamentar, mas com espaços de participação cidadã em todo o país, com assembléias populares - disse.

O ex-presidente da Nicarágua (1985-1990) fez uma chamada à unidade de seus compatriotas para lutar e mudar o que qualificou de "sistema podre imposto pelos organismos internacionais através dos programas de ajustes estruturais aplicados pelos últimos três governos que o país teve desde 1990".

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