O governo está atento ao agravamento da crise econômica mundial, decorrente agora do terremoto e do tsunami que abalaram a economia do Japão, mas age com muita ponderação e não pretende adotar qualquer medida que detenha o crescimento econômico.
Tampouco, acelerar o programa de exploração do pré-sal. Ainda que cresça a demanda por energia no mundo, com o Japão com suas usinas nucleares sob risco de derretimento e o presidente Barack Obama iniciando visita depois de amanhã ao Brasil com o objetivo de assegurar fornecedores alternativos de petróleo a seu país.
As garantias são oferecidas pela presidenta da República na entrevista ao Valor (Leiam o Destaque "Uma radiografia do momento econômico. Feita por Dilma Rousseff" no alto do blog). Abaixo, mais alguns pontos fundamentais analisados pela presidenta Dilma Rousseff nesta entrevista:
Pré-sal
Dilma e Lula Vamos seguir num ritmo que não transforma o petróleo em uma maldição. Queremos ter uma indústria de petróleo, desenvolver pesquisas, produzir bens e serviços e exportar para o mundo. O pré-sal é um passaporte para o futuro. Não vamos explorá-lo para usar, mas para exportar. Queremos nossa matriz energética limpa e ter ganhos na cadeia industrial do petróleo. Esse é um país continental com uma indústria sofisticada e uma das maiores democracias do mundo. Não somos um paisinho.
Fritura de ministros
Às vezes abro o jornal e leio que a presidenta disse isso, pensa aquilo, e eu nunca abri minha santa boca para dizer nada daquilo. Tem avaliações de que um ministro subiu, outro desceu. São absurdas! Falam que tais ministros estão desvalorizadíssimos na bolsa de apostas. O governo não pode se pautar por esse tipo de avaliação. Nenhum presidente avalia seus ministros dessa forma. E nenhum presidente pode fazer pacotes de acordo com o flutuar das coisas.
Crescimento e inflação
Não vou permitir que a inflação volte. Também não acredito que o Brasil não crescerá este ano. Não vamos derrubar o crescimento. Tenho certeza que o Brasil vai crescer entre 4,5% e 5% este ano. A meta (de inflação) é de 4,5% e nós vamos perseguir 4,5%. Tem banda para cima, banda para baixo (margem de 2 pontos percentuais), mas nós sempre tentamos, apesar da banda, forçar a inflação para a meta, até tê-la no centro.
Criação do Ministério-Secretaria Nacional de Aviação Civil
Vamos criar a Secretaria de Aviação Civil com status de ministério, porque queremos uma verdadeira transformação nessa área. Para ela irá a ANAC, a INFRAERO e toda a estrutura para fazer a política. Estou pensando em mandar (a Medida Provisória que cria a Secretaria ao Congresso) até o fim deste mês.
Reforma tributária
Estão entrando no Brasil produtos importados com o ICMS lá embaixo. É uma guerra fiscal que detona toda a cadeia produtiva daquele setor. Vamos mandar (à aprovação do Congresso) medidas tributárias e não uma reforma. Vamos mandar várias para ter pelo menos uma parte aprovada. (Essa) questão do ICMS é uma regulamentação que já está no Senado.
Dilma RousseffPRONATEC
Mandaremos (para o Congresso) o Programa Nacional de Ensino Técnico (PRONATEC) e o programa de erradicação da pobreza. O Pronatec vai garantir que o ensino médio tenha um componente complementar profissional, de um lado, e, de outro lado, que tenha uma formação para os trabalhadores de forma que não sobre trabalhador numa área e falte em outra.
Programa nacional de erradicação da pobreza
Nós já começamos a mexer no Bolsa Família, aumentando a parte (da Bolsa em dinheiro) de crianças. É com isso - com uma parte do Pronatec, que vai ajudar, com microcrédito, incentivo à agricultura familiar de uma outra forma. Nós queremos, desta vez, estruturar portas de saída. Para todo mundo (19 milhões ainda na pobreza). As saídas estão aí e estão em manter a economia crescendo.
Fotos: Ricardo Stuckert e Wilson Dias/ABr