Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

NAÇÕES FRAGMENTADAS

Sexta, 10 de Junho de 2011 às 03:55, por: CdB

Por Jorge André Irion Jobim 10/06/2011 às 09:32

 http://jobhim.blogspot.com/

No capitalismo do século XXI, todo ele construído em cima de modernas tecnologias, cruéis exterminadoras dos empregos que tradicionalmente permitiam a sobrevivência de milhões de famílias, visivelmente aumenta o abismo entre o grupo cada vez mais restrito de detentores do poder econômico e o imenso grupo de desempregados excluídos do mínimo existencial por tais avanços tecnológicos.

Hoje, as ruas que antes eram utilizadas para o lazer e deslocamento de pessoas e veículos, são vistas pelos primeiros, como o território inimigo, lugar por onde perambulam as hordas de pessoas desesperadas em busca de sobrevivência. Elas passaram a ser consideradas locais a serem controlados através de milhões de olhos eletrônicos de modo a impedir que algum indivíduo mais ousado possa pretender se insurgir contra esta situação de penúria.

Amedrontadas, as pessoas passam e confinar até mesmo seus amores e seus afetos no interior de suas fortalezas, distribuindo-os de maneira parcimoniosa, e mesmo assim, geralmente apenas para os parentes por consaguinidade e alguns outros poucos eleitos. Estancadas as demonstrações de afeto, morre à míngua o sentimento de solidariedade, eis que ausente o seu principal alimento que é justamente o amor ao próximo.

Não mais abraços, não mais sorrisos, apertos de mãos ou palavras de conforto. Aliás, quando isso ocorre, geralmente por trás de tais gestos está a mera conveniência egoística e a falsidade. O que se tornou comum, são os olhares de desconfiança e de temor em relação a qualquer pessoa que se aproxime, principalmente se ela não estiver agindo ou vestindo de acordo com padrões previamente aceitos. A humanidade já não está mais dividida apenas em nações. Estas últimas estão cada vez mais criando divisões internas, terreno fértil para o surgimento de grupos diversos cada vez mais hostis entre si.

Começa a ocorrer um distanciamento do tão sonhado estado do bem estar social com ao consequente recrudescimento do direito penal do inimigo que, no afã de reprimir as multidões de desempregados, passa a sonegar delas as garantias processuais penais mínimas e a lhes impor penas de prisão, não mais fundamentadas na culpabilidade mas sim em uma eventual periculosidade.

Fragiliza-se a unidade das nações, perdem-se as referências e elas acabam ficando mais suscetíveis de dominação por outros estados com vocação imperialista. Há que se ter cuidado, pois elas não costumam perder tais oportunidades. O próprio momento histórico que estamos vivendo comprova tal assertiva.

Jorge André Irion Jobim. Advogado de Santa Maria, RS

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