Rio de Janeiro, 01 de Setembro de 2026

Nações emergentes batalham por mais poder no FMI

Enquanto os encarregados pelas finanças globais discutiam na sexta-feira, tentando achar um meio de redistribuir o poder de voto no Fundo Monetário Internacional, os mercados emergentes tentam garantir que um já prometido aumento no seu poder de opinar não aconteça às custas de sacrifícios de outros países em desenvolvimento.

Domingo, 10 de Outubro de 2010 às 15:35, por: CdB
Enquanto os encarregados pelas finanças globais discutiam na sexta-feira, tentando achar um meio de redistribuir o poder de voto no Fundo Monetário Internacional, os mercados emergentes tentam garantir que um já prometido aumento no seu poder de opinar não aconteça às custas de sacrifícios de outros países em desenvolvimento. Países europeus e os EUA atualmente dominam o FMI, um reflexo do período seguinte à Segunda Guerra Mundial, que está sendo questionado agora, à medida que países em desenvolvimento, como a China, exigem uma representação proporcional a seu crescente poder econômico. Há um amplo consenso entre os 187 países membros do FMI de que cerca de 5% do poder de voto precisa passar para países insuficientemente representados no fundo. Enquanto a China deve dar grandes saltos e superar antigas potências industriais, como França e Grã Bretanha, de acordo com os planos de reforma do FMI que estão sendo discutidos, nações menores estão preocupadas em saber como o restante dos votos será distribuído. Cotas, que determinam as contribuições de cada país membro e quanto cada um pode tomar emprestado, se baseiam em uma fórmula complexa que considera fatores como tamanho da economia de um país, suas reservas cambiais e sua balança comercial. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse a jornalistas durante as reuniões do FMI e do Banco Mundial que a China concordou em abrir mão de parte do aumento de poder de voto a que tem direito, para que outros países em desenvolvimento também possam ser beneficiados. A China "até concordou em abrir mão de parte do aumento a que teria direito," disse Mantega. – A maior resistência sempre vem dos europeus e de outros países desenvolvidos – acrescentou. Autoridades chinesas não foram encontradas para confirmar os comentários de Mantega. Os países estão em negociações para tentar reduzir o domínio dos EUA e, especialmente, da Europa no FMI. Os europeus não querem perder assentos no conselho do FMI e os americanos não querem perder seu poder de veto. Em entrevista à agência inglesa de notícias Reuters, o presidente do comitê consultivo dos Estados membros do FMI, Youssef Boutros-Ghali, que também é ministro da Fazenda no Egito, disse que o impasse só seria resolvido se todos pudessem se sentir como se fossem os vencedores. Diversas autoridades europeias afirmaram na sexta-feira terem feito progresso na tentativa de diminuir as diferenças, mas que nenhuma proposta concreta havia surgido ainda. – É um trabalho em andamento, e que deverá evoluir e progredir até chegar a uma conclusão nas próximas semanas – disse o comissário representante de assuntos econômicos e monetários da UE, Olli Rehnm. Pravin Gordhan, ministro das Finanças da África do Sul, disse que seria importante consertar desigualdades históricas que ainda existem no FMI entre "os (países) que têm e os (países) que não têm". – Acho que todos nós estamos tentando achar um equilíbrio, porém, é importante que esse equilíbrio não seja distorcido por considerações de interesse próprio, mas que sirva para garantir que possamos alcançar o objetivo maior no fim do dia – disse ele. A África do Sul estava entre os diversos países em desenvolvimento que, em 2008, aceitaram uma redução de suas cotas, quando China, Índia, México, Coreia do Sul e Turquia ganharam mais poder no FMI.
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