Rio de Janeiro, 12 de Setembro de 2026

Nação Zumbi e o Mundo Livre S.A. abalaram o Sesc Pompéia

Segunda, 17 de Janeiro de 2005 às 13:41, por: CdB

A união das duas maiores potências do mangue beat - a Nação Zumbi e o mundo livre s.a. - só podia dar no que deu: um show retumbante, que abalou o Sesc Pompéia em três noites no fim de semana. Daqueles shows que merecem reprise gravação em DVD, festivais no exterior e o que mais vier. A festa já começava no corredor de entrada do Sesc, misturando o público dos pernambucanos com os do Trio Mocotó, que se apresentaram na choperia, em meio a uma roda de samba de aquecimento de ânimos. Quem ia chegando já entrava no clima: muito suingue, suor e cerveja. Duas garotas que não conseguiram entradas para o grande encontro tiveram a 'manha' de esperar até o fim, para então conseguir ver o bis. Catarse.

No teatro, a predominância de jovens de perfil universitário, bermudões e vestidos soltos, cabelos longos e barbas, euforia dos pés aos quadris. Cabeças boas batendo no ar, urros a cada introdução de todas as músicas cantadas na ponta da língua, acompanhamento de palmas sincopadas no tempo certo. Muito distinto daquelas platéias que nunca pegam o ritmo do baião e o confundem com o vira português.

Foi o primeiro turno da série Disco de Ouro, que a cada dois meses vai apresentar shows de revisão integral de seis álbuns, apontados por 12 dos principais críticos, como os mais importantes da MPB. O primeiro foi Da Lama ao Caos, de Chico Science e Nação Zumbi, lançado em 1994. Todo mundo que disputou a um a um os ingressos para o esperado encontro da Nação com o mundo livre - convertidos na Orquestra Manguefônica - não esperava por menos.

Uma a uma, do Monólogo ao Pé de Ouvido ao Coco Dub, todas as músicas do disco estouraram os medidores de expectativa explodindo na força da percussão vitaminada dos dois lados, assim como no revezamento dos vocais, com predominância de Du Peixe. Em temas como Rios, Pontes e Overdrives, o cavaquinho de Fred Zero Quatro fez toda a diferença. Além de exultante por cantar pela primeira vez em público Computadores Fazem Arte, Fred ainda deu de brinde no bis Pastilhas Coloridas (de Guentando a Ôia, do mundo livre).

De seu diálogo com o guitarrista Lúcio Maia brotaram vários momentos de êxtase, especialmente no bis com Coco Dub (Afrociberdelia), em longa e revigorada versão, já sob efeito das muitas cervejas entornadas no palco. A versão reggae de A Praieira, repetida por insistentes pedidos, foi uma das surpresas mais espantosas. Os maracatus de tiro certeiro dos mangue boys são pedras evoluídas, a modernizar o próprio passado.

Tags:
Edições digital e impressa