Aconteceu neste início da semana. O governo dos EUA bateu no teto do seu limite legal de endividamento, de US$ 14,3 trilhões (cerca de R$ 23,2 trilhões). O episódio levou o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, a declarar que o governo norte-americano será obrigado a, temporariamente, suspender investimentos em dois fundos de pensão públicos para não ultrapassar o limite.
O caso o levou a pedir ao Congresso, por meio de carta o aumento para o limite da dívida "o mais rápido possível". Não será tão simples assim. A oposição republicana, que controla a Câmara dos Representantes, aproveitou o fato para tentar vincular a aprovação do aumento do teto a cortes no orçamento maiores do que os propostos pelo governo democrata.
O endividamento dos Estados Unidos, aliás, repercute também entre as agências de classificação de risco. Já no mês passado, a Standard & Poor's (S&P's) rebaixou a sua classificação sobre a perspectiva da dívida dos EUA de "estável" para "negativa".
Nada de novo no front
Nada de novo no front dos Estados Unidos. Por lá os norte-americanos estão pouco se lixando para as agências de avaliação. Sabem que são manipuladas e que têm pouca credibilidade. Simplesmente, confiam em seu poder militar e tecnológico e farão de tudo para voltar a crescer e criar emprego. No fundo, garantir oportunidade de trabalho para a população é uma conhecida política de segurança nacional, argumento final.
Os norte-americanos vão, sim, se endividar mais, aumentar os déficits gêmeos - fiscal e comercial -, desvalorizar o dólar e fazer cortes “para Inglês ver” no Orçamento. Ou acharão algum modo de calar os republicanos. O que interessa ao seu governo é vencer as eleições do ano que vem.
A tarefa de cortar gastos, diminuir a dívida pública, fazer déficit nominal zero e superávit operacional nas contas externas é nossa e dos demais países. E, como aqui a nossa direita é mais realista que o Império, tem ainda que ler e ouvir toda a ladainha ortodoxa e conservadora diária. Já, tio Sam repete à exaustão o ditado: “na prática, a teoria é outra”.
Segundo Geithner, com as medidas adotadas em relação à suspensão dos investimentos nos fundos de pensão, será possível evitar ultrapassar o teto apenas até 2 de agosto. Caso o Congresso chegue a um acordo para aumentar o limite da dívida, os investimentos suspensos nos fundos serão pagos integralmente, diz Geithner.