A orla carioca reafirmou neste domingo sua vocação para ser o palco de manifestações variadas nos fins de semana. Pela manhã, cerca de 2 mil pessoas participaram, na Praia de Ipanema, do protesto contra a visita do presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, que chega ao país nesta segunda-feira. À tarde, na Praia de Copacabana, o manifesto foi pelo fim da violência contra as mulheres.
O movimento em defesa das mulheres, coordenado pela organização não governamental Ações em Gênero, Cidadania e Desenvolvimento (Agende) contou com a participação da ministra especial de Políticas para as Mulheres, Nilcéia Freire, e do presidente da BR Distribuidora, José Lima de Andrade Neto.
A ministra falou sobre o número telefônico 180 para denúncias de abusos contra meninas, adolescentes e mulheres adultas em todo o país. Segundo ela, 16 unidades móveis vão percorrer 150 postos de combustível com a bandeira BR (Petrobras), orientando seus funcionários sobre a questão.
– Os operadores dos postos estarão conscientes de que podem ajudar com informações, passadas, principalmente, aos caminhoneiros sobre a exploração sexual infantil – disse Nilcéia Freire, lembrando que este é o quarto ano seguido em que a BR Distribuidora participa da ação da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República.
Andrade Neto contou que o sistema Petrobras está engajado na campanha da violência contra mulheres.
– Esta é uma luta que transcende a brasilidade, é uma questão internacional, que diz respeito às mulheres e ao respeito pelas pessoas em geral – observou. A manifestação na Praia de Copacabana fez parte da campanha 16 Dias de Ativismo, iniciada dia 20.
Intolerância
A outra manifestação, na Praia de Ipanema, reuniu representantes judeus, islâmicos, umbandistas, candomblecistas, evangélicos, católicos, ciganos, ativistas dos movimentos negro e gay, contra a visita do presidente iraniano.
– O que nós queremos é que o presidente Lula levante essas questões diretamente a ele, inclusive porque o Brasil é um país tolerante sob todos os aspectos. Nossa intenção é manifestar oposição a tudo o que o presidente do Irã significa – declarou Michel Gherman, do Hillel Rio, representando a comunidade judaica na manifestação.
Porta-voz da Comissão Contra a Intolerância Religiosa, Ivanir dos Santos lembrou a passeata de setembro, em Copacabana, pela liberdade religiosa e disse que “negar o holocausto é como negar a escravidão”.
– Precisamos estar atentos a todas as declarações e atos discriminatórios para nos posicionarmos sempre do lado da tolerância, na defesa das liberdades, a começar pela religiosa. No Irã, muitas minorias religiosas sofrem perseguição – afirmou referindo-se a comentário de Ahmadinejad, feito durante a semana, em que o presidente iraniano questionou que tenha havido, no passado, o Holocausto.