Os italianos votaram nesta segunda-feira no segundo e último dia das eleições gerais, que podem selar o fim dos atribulados cinco anos de governo do primeiro-ministro Silvio Berlusconi e recolocar a centro-esquerda no poder. As urnas permaneceram abertas das 7h às 15h (2h às 10h, horário de Brasília) e as pesquisas de boca-de-urna apontaram que o líder da oposição Romano Prodi deverá assumir o poder à frente de uma coalizão que reúne desde católicos de centro a comunistas.
- Tenho medo de que a esquerda ganhe com uma maioria muito pequena e que tudo do último governo seja cancelado e que voltemos à estaca zero - afirmou a professora aposentada Giovanna Orzi, em um local de votação de Roma.
Com o país profundamente dividido, os jornais previram um dos maiores comparecimentos às urnas dos italianos depois de 66,5 por cento dos eleitores terem votado no primeiro dia do pleito, no domingo.
Pesquisas de opinião davam a Prodi, um ex-primeiro-ministro e ex-presidente da Comissão Européia (Poder Executivo da União Européia, UE), uma vantagem durante a campanha, na qual os candidatos trocaram vários insultos, sem, porém, impedir que parte importante do eleitorado continuasse indecisa. A atmosfera de confrontação chegou ao ápice nos últimos dias, quando a esquerda acusou Berlusconi de tentar influenciar ilegalmente o eleitorado enviando para parte dele mensagens de texto.
A direita rebateu dizendo que a esquerda seria religiosamente intransigente depois de crucifixos terem sido retirados de dois locais de votação. Serena Ricci, 22, compareceu a uma urna colocada perto do Vaticano para anular seu voto.
- Não vou dar meu voto para ninguém. Não podemos confiar em nenhum deles - afirmou.
Há duas semanas, as pesquisas de intenção de voto estão proibidas, mas Prodi vinha liderando a corrida desde que regressou ao cenário político italiano, em 2004, após ficar cinco anos na UE.
O ex-premiê é o único homem que já derrotou Berlusconi nas urnas, em 1996, e dois sites de aposta escolheram-no como favorito para a disputa deste ano.
Milionário
Berlusconi, o homem mais rico da Itália e fiel aliado dos EUA na Europa continental, conquistou o governo italiano em 2001 prometendo diminuir a burocracia e os impostos. Apesar de o magnata do setor de comunicações ter conseguido manter seu gabinete no poder por um período recorde para o pós-guerra, a quarta maior economia da Europa pouco cresceu nesse período e perdeu espaço para seus competidores.
Os rompantes de Berlusconi também contribuíram para enfurecer os parceiros estrangeiros do país. O premiê, agressivo durante a campanha, usou termos ofensivos para descrever seus adversários, acusou o Judiciário do país de persegui-lo e, mirando nos comunistas do bloco de oposição, disse que a China de Mao Tsé-Tung havia cozinhado bebês. Na esperança de conquistar o voto dos indecisos, o dirigente, 69, ofereceu, nos últimos dias de campanha, cortar impostos.
Ele disse a simpatizantes em seu comício final que havia derrotado a centro-esquerda, mas os adversários dele rejeitaram essa idéia. Prodi, 66, um ex-professor de economia, ficou conhecido por mostrar-se sério e modesto na batalha contra a riqueza e as muitas ações judiciais de Berlusconi. O ex-premiê afirmou que cortará impostos e conterá o crescente déficit fiscal da Itália. Mas, para Berlusconi, os planos de Prodi acabarão sendo minados pelos aliados comunistas dele, como aconteceu depois da vitória dele nas urnas, em 1996.
Tanto Berlusconi como Prodi prometeram retirar os soldados italianos do Iraque. O atual dirigente italiano mantém uma relação de proximidade com o presidente norte-americano, George W. Bush, e com o presidente russo, Vladimir Putin. Berlusconi, além disso, aproximou-se de Israel. Prodi deve realinhar a política externa da Itália e reaproximá-la de seus aliados europeus.
Pesquisas
O líder da ce