Como não falta mais quase nada do que o governo José Serra fazia no Estado que seu sucessor Geraldo Alckmin não tenha paralisado, abandonado, mudado ou simplesmente cancelado, agora foi a vez do programa que oferecia aulas extracurriculares de idiomas em escolas privadas a alunos da rede estadual. Os 81 mil alunos que ainda tiveram essas aulas no ano passado estão sem elas este ano.
Eles tem uma vaga promessa do Estado de que as aulas voltam, no futuro, na própria rede pública estadual, mas ninguém sequer acena com uma data do retorno. Pelo programa os alunos das escolas estaduais podiam fazer cursos extras de idiomas tais como inglês e espanhol na rede particular, ou em centros de idioma da própria rede pública, com bolsa concedida pelo Estado.
A Secretaria da Educação justificou que esses cursos em seus próprios centros de idiomas (que hoje atendem a apenas 58 mil dos 3 milhões de alunos da rede pública) são mais baratos, têm evasão menor e, por isso, serão ampliados. Já o governo José Serra justificou que os convênios com escolas como CCAA, Cultura Inglesa e Wizard eram a melhor forma de expandir vagas, pois os centros de idiomas próprios existem em apenas 98 dos 645 municípios do Estado.
Alguém deveria ser processado
Em nota enviada à Folha de S.Paulo - que publica matérias a respeito hoje - a Secretaria de Educação apresenta mais uma justificativa para rescindir os contratos com as escolas particulares de idiomas: nelas o Estado gastou o equivalente a R$ 507 por aluno/ano, enquanto nos centros de idioma da rede pública esse custo fica em R$ 14,00.
Não é o mais triste nessa história toda - triste é os alunos ficarem sem aula - mas o interessante é que durante a campanha eleitoral do ano passado, conforme lembra o Folhão, Alckmin prometeu que 600 mil estudantes iriam fazer curso extracurricular de idiomas. Eleito, esqueceu a promessa e agora rompe o convênio com as escolas particulares que possibilitariam isto.
Então, vejam o absurdo: já era um programa eleitoreiro de José Serra, que atendia também em parte o propósito da política tucana de privatizar o ensino e que o Alckmin aproveitou na sua campanha para a eleição. Eleito, agora descarta sem a menor consideração. Dado o absurdo alguém deveria ser processado.
Na guerra tucana dançam os cursos de idiomas
Segunda, 25 de Abril de 2011 às 13:06, por: CdB