Rio de Janeiro, 02 de Setembro de 2026

Na gelada Berlim começam os dez dias de festival

Quinta, 09 de Fevereiro de 2012 às 09:33, por: CdB

A abertura do Festival fica com a vida faustosa da rainha Maria Antonieta na côrte francesa

09/02/2011

Rui Martins,
de Berlim (Alemanha)

 

O filme Adeus à Rainha do cineasta francês Benoit Jacquod foi o escolhido para abrir hoje o Festival Internacional de Cinema, onde retorna o cinema português, depois de doze anos de ausência, concorrendo com outros 16 filmes pela conquista do Urso de Ouro ou de Prata. O filme é "Tabu", de Miguel Gomes, produzido pela Som e Fúria com apoio dos brasileiros da Gullane.

                                             Foto: http://www.berlinale.de

A decisão dos prêmios ficará a cargo do júri presidido pelo respeitado diretor inglês Mike Leigh e do qual fazem parte, entre os oito jurados, a atriz francesa Charlotte Gainsbourg, o cineasta francês François Ozon e o iraniano Asghar Farbadi, Urso de Ouro no ano passado com o filme "A Separação", favorito para o Oscar de melhor filme estrangeiro.

A abertura do Festival fica com a vida faustosa da rainha Maria Antonieta na côrte francesa, interrompida com o rebentar da Revolução Francesa, é uma referência às revoluções e perturbações iniciadas com a Primavera Árabe e que prossegue na Síria depois de ter abrasado parte do Magreb. Numerosos filmes de ficção e documentários mostram a rebelião no mundo árabe, seguidos de debates sobre seu significado e futuro.

Essa preocupação política do Festival será contrabalançada com a passagem dos astros e estrelas pela passarela vermelha em direção à Berlinale, diante dos corajosos admiradores que, este ano, enfrentarão uma rigorosa temperatura por volta de dez graus abaixo de zero. Será a oportunidade de se ver Angelina Jolie, não como atriz mas como diretora do filme "Na Terra do Sangue e Mel" e a consagrada atriz Meryl Streep travestida em Margareth Thatcher, no filme "A Dama de Ferro".

Foto: Divulgação

Outros mais friorentos preferirão entrar logo no calor das salas de projeção para ver o último filme de Stephen Daldry (Billy Elliot), "Extremely Loud and Incredibly Close", com atores como Tom Hanks, Max von Sydow e Sandra Bullock. Ou para saber do que trata "Haywire", novo filme de Steven Soderbergh (Sexo, Mentiras e Videotape ) com Gina Carano e Antonio Banderas. Ou ainda os italianos irmãos Taviani com Cesare Deve Morire, o chinês ZhangYimou com "As Flores da Guerra".

O Senegal, vivendo nestes dias um clima de revolta, está no filme "Hoje", do francês Alan Gomis. Outro país africano nas telas é Moçambique da época da colonização, no filme português de Miguel Gomes, "Tabu".

A lusofonia está presente na mostra Panorama com dois filmes brasileiros - "Xingu", de Cao Hamburguer, e "Olhe Para Mim de Novo", de Kiko Goifman e Cláudia Priscila. Há igualmente dois curtametragens lusófonos - "Rafa", do cineasta português João Salavize, e "Licuri Surf", do brasileiro Guile Martins. 

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