Por fim, chegamos ao 'default' negociado no caso grego, ao desconto da dívida do país e ao seu alongamento. Estou afirmando isso há tempos. Foram seis meses de impasses, ajustes e negociações para nada. Eu já estava percebendo isso e registrando aqui no blog há várias semanas.
Foram seis meses, pouco menos, pouco mais - dependendo do país - que não resolveram nem a questão da dívida pública de Portugal, Espanha e Irlanda. Da Grécia, então, nem falar não havia mesmo outra saída. Pelo contrário tanto tempo de negociação e impasse só agravou a crise e ainda por cima contaminou os bancos desses países.
Mas, agora, observem: no caminho encontrado, os bancos alemães e franceses, responsáveis pela farra grega, foram preservados. Suas economias vão até crescer, ao contrário da de países como Espanha e Portugal, Grécia e Irlanda.
Aguardem. Ainda vamos ter mais desdobramentos
Até a Itália - 3ª maior economia da zona do euro - foi afetada e seguiu o mesmo caminho que os demais. Adotou um Plano de Austeridade de quatro anos. Na verdade, no caso da Itália é de dois - é para ser rediscutido quando o primeiro-ministro Sílvio Berlusconi e a direita não governarem mais.
Assim, o que estava - e está - em jogo não é o crédito soberano da região como diz a agencia Fitch, mas a própria União Europeia (UE). Particularmente seus bancos, totalmente contaminados pelas dívidas soberanas dos Estados. Mais do que isso - aguardem - a crise atual obrigará uma revisão da própria UE, caso contrario não haverá solução nem para a crise e nem para os impasses do euro.
Mas, essa revisão passa pelo fim da social democracia como a conhecemos hoje e ela depende dos partidos, dos movimentos sociais e da disputa política com a direita européia. Esta é que na pratica hegemonizou as políticas econômicas nos últimos 30 anos e provocou a capitulação da social democracia ao mercado e ao ideário liberal.
Na Europa chegamos, enfim, ao calote negociado
Sábado, 23 de Julho de 2011 às 06:35, por: CdB