Rio de Janeiro, 27 de Maio de 2026

Na cúpula, jovens recebem ajuda de custo para protestar

Terça, 10 de Maio de 2005 às 12:09, por: CdB

Um grupo de oito jovens brasileiras aproveitou a cúpula com a presença de representantes de países árabes para protestar contra a opressão às mulheres da região. O ato, no entanto, não foi voluntário uma vez que as mulheres receberam ajuda de custo para atuar em prol da causa feminina.

Trajadas a caráter, elas queimaram burcas (vestimentas que cobrem todo o corpo, com uma pequena tela no rosto) a alguns metros do local da abertura do evento em Brasília, mas desconheciam o objetivo da manifestação.

Segurando faixas que diziam "Digam não à opressão às mulheres árabes", as brasileiras ficaram caladas durante as duas horas do ato. Questionadas pela imprensa se o silêncio fazia parte do protesto, afirmaram que foram orientadas pela organização a não falar. Outras disseram não saber identificar, no mapa, onde estão localizados os países árabes.

- Foi por cuidado para que não se propagassem preconceitos e generalizações levianas. Estamos lutando pela democracia - afirmou nesta terça-feira Ariadne Jacques, coordenadora da manifestação.

Para Ariadne, o objetivo principal é alertar a sociedade e os chefes de Estado presentes à Cúpula América do Sul-Países Árabes, que teve início na manhã desta terça-feira e vai até quarta-feira, para a importância de discutir a situação da mulher nas nações árabes.

Ao final do ato, os jornalistas apuraram que as jovens foram pagas para fazer a manifestação. Segundo a assessoria de imprensa Oficina da Palavra, contratada para divulgar o protesto, as garotas foram "acionadas" por uma empresa de eventos para atuar na encenação, tendo recebido uma "ajuda de custo" pelo trabalho.

Antes, havia sido informado que parte das jovens eram parentes de mulheres árabes e que todas elas eram militantes da causa.

- Como não conseguiram voluntários aqui em Brasília, acionamos o Osmir (Laranjeiras, dono da empresa de eventos), que se prontificou a arrumar umas moças que também trabalhavam como voluntárias, e a gente deu uma ajuda de custo e transporte - esclareceu Kátia Morais, assessora de imprensa.

Segundo Ariadne Jacques, o movimento contou com o apoio de organizações da sociedade civil.

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