Rio de Janeiro, 06 de Setembro de 2026

Mutações no mundo do trabalho (1)

O chamado mundo do trabalho tem passado por profundas transformações nas últimas três décadas. Além dos efeitos destrutivos e regressivos da crise estrutural do capitalismo e dos estragos do neoliberalismo - causadores de desemprego massivo, informalidade, precarização e corrosão dos salários -, também está em curso uma terceira revolução tecno-científica que produz abalos nas próprias unidades de trabalho. (Leia Mais)

Sexta, 22 de Abril de 2005 às 17:28, por: CdB

O chamado mundo do trabalho tem passado por profundas transformações nas últimas três décadas. Além dos efeitos destrutivos e regressivos da crise estrutural do capitalismo e dos estragos do neoliberalismo - causadores de desemprego massivo, informalidade, precarização e corrosão dos salários -, também está em curso uma terceira revolução tecno-científica que produz abalos nas próprias unidades de trabalho. A introdução da microeletrônica, no acelerado processo de reestruturação produtiva do capital, gera enormes polêmicas. Indaga-se sobre os seus reflexos no trabalho e sobre o próprio futuro do proletariado.    

Alguns afirmam que essa nova fase da automação "libertará o homem" e resultará em progresso para toda a humanidade. Outros argumentam que as novas tecnologias, sob domínio do capital, servem para elevar ainda mais a concentração de riquezas e resultam em enormes prejuízos para os trabalhadores. Decifrar esse enigma é uma tarefa urgente. Os três artigos a seguir procuram apontar algumas pistas. Seu objetivo é contribuir para o debate sobre o novo perfil do proletariado e sobre o papel dessa classe na superação do sistema capitalista - antes que ele conduza toda a humanidade à desagregação e à barbárie!

REVOLUÇÃO INFORMACIONAL

A automação não é fenômeno novo no capitalismo. Existe praticamente desde seu nascimento, a partir da superação do trabalho artesanal, do parcelamento das tarefas na fase manufatureira e da introdução das máquinas. O que há de diferente na fase atual são os meios usados para automatizar a produção. Até uma fase recente, eram usados somente os recursos provenientes da mecânica e da eletricidade. A partir dos anos 60, a informática foi incorporada no processo de trabalho. Por isso é que alguns batizam a fase atual de "revolução informacional" se diz que a novidade é a  introdução e a difusão da microeletrônica.

Os avanços nesse campo são impressionantes. O principal insumo dos equipamentos microeletrônicos são os circuitos integrados - os famosos chips. Sua pesquisa começou em 1958 na empresa Texas Instruments e a sua produção comercial teve início em 1961. Os chips substituíram os transistores que, por sua vez, já tinham superado as válvulas eletrônicas. O primeiro computador a válvula, fabricado pela estadunidense Eniac, no início dos anos 50, ocupava uma área de 150 metros quadrados. Já o atual circuito integrado, encontrado numa pastilha de silício, ocupa menos de 0,5 centímetro, cabendo em cima de um dedo.

O Comando Numérico Computadorizado (CNC) é considerado o primeiro passo da microeletrônica na automação industrial. Através dele, máquinas-ferramentas tradicionais, como fresadoras, prensas, tornos e outras, ganham controles eletrônicos que garantem maior rapidez e precisão no processo produtivo. A alma do CNC é um microprocessador, que lhe dá capacidade de memorizar informações, fazer cálculos e transmiti-los à máquina para efetuar a operação produtiva. As primeiras máquinas-ferramentas com CNC foram usadas nas indústrias naval e aeronáutica.

Enquanto o CNC serve à indústria mecânica, os Controladores Lógicos Programáveis (CLPs) reinam na siderurgia e na indústria química, aonde administram os processos contínuos de produção. Dotados de memória, os CLPs são gerentes eletrônicos que "tomam decisões", como as de abrir ou fechar válvulas, soar alarmes, selecionar produtos químicos, etc. Esses equipamentos são os mesmos usados no controle de tráfego da rede metroviária e na sinalização de trânsito.

Já os robôs representam um novo salto na automação. Segundo o Instituto Americano de Robótica, é "um manipulador reprogramável e multifuncional, projetado para movimentar ferramentas, operar dispositivos especiais e transportar materiais, por meio de movimentos programados variáveis, o que permite executar  um conjunto diversificado de tarefas". Os primeiros protótipos surgiram no início dos anos 70. Os robôs soldam carro

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