Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Musical sobre Cartola estréia no Rio

Quarta, 07 de Janeiro de 2004 às 06:44, por: CdB


Nascido Angenor de Oliveira, no bairro do Catete, em 1908, Cartola foi pedreiro, peixeiro, vendedor de picolé, lavador de carros e só conseguiu gravar seu primeiro disco em 1974, depois de muita batalha. As dificuldades não foram poucas, mas não impediram o fundador da Estação Primeira de Mangueira de criar uma das mais importantes obras da música popular brasileira.

E foi tanto a música quanto a vida de Cartola que encantaram a jornalista Sandra Louzada. Ela passou os últimos meses trancada em seu escritório, cercada por discos, artigos, entrevistas e livros sobre Cartola, como as biografias Cartola: todo o tempo que eu viver, de Roberto Moura, e Cartola - Os tempos idos, de Marília Barboza da Silva e Arthur de Oliveira Filho. Foi com base nesse material que ela usou a criatividade para criar o espetáculo Obrigado, Cartola!, atração que abrirá a temporada teatral do Centro Cultural Banco do Brasil Rio. Obrigado, Cartola! não segue as regras do musical biográfico tradicional. A história de Cartola será contada através de Bento, compositor que está pesquisando a trajetória de Cartola para disputar o concurso de samba-enredo de sua escola. A ação do espetáculo se desenrola em dois planos: o da realidade, ambientado em 2004, e o da imaginação, que se estende de 1928, data de fundação da Estação Primeira de Mangueira, a 1980, ano da morte do compositor.

Além de admirar a obra de Cartola, Bauraqui identifica-se com o compositor pelas dificuldades que enfrentou quando trocou Santa Maria, no Rio Grande do Sul, pelo Rio de Janeiro. O ator teve que se virar como garçom e porteiro antes de conseguir conquistar seu espaço na disputada carreira de ator. A mudança começou em 1995 quando participou de Forrobodó, de André Paes Leme. Após essa primeira experiência, Bauraqui fez um espetáculo atrás do outro e se consagrou interpretando o personagem Tabu em Madame Satã, de Karim Aïnouz.

O processo de criação do musical, ou melhor, teatro musicado, como prefere a autora - para diferenciar seus espetáculos dos musicais realizados ao estilo Broadway -, contou com pesquisa de Isa Cambará e a fundamental ajuda dos netos do compositor, Nilcemar Nogueira e Pedro Paulo.  Dona Zica não chegou a ver o texto pronto, mas leu o argumento e aprovou a idéia de Louzada.  Nilcemar. Depois da temporada no CCBB, o texto será utilizado como a espinha dorsal da escola de teatro que funcionará no Centro Cultural no segundo semestre de 2004.

As canções de Obrigado, Cartola! serão interpretadas ao vivo no palco do Teatro I. Ao lado dos sucessos As Rosas Não Falam, Quem me vê Sorrir e Tive Sim, estará um samba, com título homônimo ao do espetáculo, composto por Paulinho da Viola e Hermínio especialmente para a ocasião. A direção é de Vicente Maiolino, responsável também pela concepção do espetáculo O Samba é Minha Nobreza, apresentado no Odeon BR em 2002.

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