Responsável pela recente montagem de Ópera do Malandro, a dupla Charles Möeller e Claudio Botelho tem, até o dia 20 de novembro, um desafio muito maior do que fazer sucesso com uma peça de Chico Buarque.
Eles têm que transformar Stephen Sondheim, o maior compositor vivo, com 75 anos, do teatro musical norte-americano, em um nome conhecido no Brasil.
A dupla estréia, no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro, a peça Lado a Lado com Sondheim, uma reunião de 31 músicas do autor.
Quase todo o repertório foi escolhido em 1976 pelos ingleses Ned Sherrin e David Kernan, que desejavam tornar o gênio da Broadway mais conhecido em West End.
- Esse tipo de espetáculo é uma das formas mais eficientes de catequizar o público, porque é o melhor da obra do compositor - explicou Möeller, diretor da peça.
A proposta significa apresentar um autor que muitos desconhecem e mostrar, para quem não liga o criador à criatura, que alguns clássicos da canção popular dos EUA são de Sondheim.
São os casos de América, do filme Amor, Sublime Amor ; Losing My Mind, do musical Follies e Send in the Clowns, de A Little Night Music.
- Só Send in the Clowns e mais três músicas são cantadas em inglês. Ficaria incompreensível sem versões, seria só para iniciados ou para os que entendem bem inglês. O bom é fazer na nossa língua - afirmou Botelho, também diretor musical e um dos atores da arte cênica.
Boa parte das versões, Botelho já tinha feito para outros espetáculos, como um show em que interpretou Sondheim ao lado de Claudia Netto, e Company, primeira montagem brasileira de uma peça do compositor.
O próprio Sondheim esteve no Rio, há quatro anos, para assistir a Company. Tanto aprovou que não fez objeções às propostas de alteração do formato original de Side by Side, já que os diretores cortaram textos e acrescentaram músicas.
Botelho divide o palco com Ester Elias, Ivana Domenico, Marya Bravo e Sabrina Korgut.