Rio de Janeiro, 28 de Outubro de 2026

Musharraf já admite eleições no Paquistão

Ditador do Paquistão, Pervez Musharraf disse neste domingo que deseja a realização das eleições parlamentares até o dia 9 de janeiro. Musharraf, no entanto, não estabeleceu uma data para a suspensão do estado de exceção no país, decretado por ele no sábado passado. Comissão eleitoral será escolhida por integrantes do governo

Domingo, 11 de Novembro de 2007 às 10:33, por: CdB
O presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, no posto após decretar estado de exceção, disse neste domingo que espera que as eleições parlamentares sejam realizadas até o dia 9 de janeiro. Musharraf, no entanto, não estabeleceu uma data para a suspensão das medidas ditatoriais no país, decretadas por ele no sábado passado.

Durante sua primeira entrevista coletiva desde que impôs severas restrições no Paquistão, Musharraf disse que tanto a Assembléia Nacional, como as das províncias, serão dissolvidas nas próximas semanas.

O presidente pediu que a Comissão Eleitoral organize o pleito e disse que caberá à instituição determinar uma data exata para as eleições.

"Eu pediria que a Comissão Eleitoral realize as eleições o mais rápido possível, o que significa que se calcularmos de 45 a 60 dias a partir do dia 20 de novembro (quando as assembléias estarão dissolvidas), deveremos ter eleições antes de 9 de janeiro, data que coincide com o início do Moharram (mês de sacrifício para os muçulmanos)", disse Musharraf.

"Interesse nacional"

O presidente defendeu sua decisão de decretar o estado de emergência, insistiu não ter feito “nada de errado” e negou ter “violado a Constituição”.

Musharraf disse que “assume a responsabilidade” por seus atos e que o estado de estado de exceção “é do interesse nacional”.

“Foi a decisão mais difícil da minha vida”, disse o presidente.

Musharraf disse que não vai interferir na organização das eleições e que as restrições impostas no país há oito dias são necessárias para que o pleito ocorra "dentro da normalidade".

Popularidade de Bhutto

O líder paquistanês também sinalizou que pretende renunciar de seu posto de chefe das forças armadas, o que faria dele um presidente civil, mas também não precisou quando isto ocorrerá.

Segundo Musharraf, isto vai depender do tempo que a Suprema Corte vai levar para validar sua candidatura para as eleições ocorridas em 6 de outubro, das quais ele saiu vitorioso.

O presidente evitou responder perguntas de jornalistas sobre uma possível aliança que estava sendo negociada com a ex-primeira-ministra Benazir Bhutto antes da imposição do estado de exceção.

Ao ser indagado por um dos repórteres estrangeiros sobre a crescente popularidade da ex-premiê – que assumiu a frente da campanha de oposição ao governo -, Musharraf disse que Bhutto não é popular no país.

- Você não conhece o Paquistão - disse o presidente.

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