O novo Museu Acrópole, na Grécia, voltou atrás nesta terça-feira da decisão de cortar um filme do cineasta Costa Gavras, adotada inicialmente para aplacar a poderosa Igreja Ortodoxa grega, depois de um clamor público.
A poucas semanas de sua inauguração, manifestantes fizeram piquetes diante do museu e um grupo de defesa de direitos civis ameaçou entrar na Justiça contra a instituição por cercear a liberdade de expressão, depois que autoridades disseram que iriam retirar algumas cenas do filme de animação.
– O filme informativo continuará a ser exibido –, disse o diretor do museu, Dimitris Pantermalis, em um comunicado.
Com 1 minuto e 40 segundos, o filme informa os visitantes sobre a história do templo do Partenon, datado do século 5 antes de Cristo, e em um trecho mostra cristãos danificando o monumento. O curta foi feito por Costa Gavras, cineasta grego que se tornou famoso com filmes como Z e Missing - O Desaparecido.
No filme, pessoas usando longas túnicas depredam o Partenon. Embora os primeiros cristãos tenham derrubado estátuas e templos, em uma ação para erradicar o paganismo, a Igreja Ortodoxa da Grécia, que oficialmente representa mais de 90% dos 11 milhões de habitantes do país, ficou ofendida com as imagens.
– O sr. Gavras esclareceu que naquelas cenas ele não quis dizer nem mostrou que a destruição foi feita por padres, mas pelas pessoas daquela época –, disse Pantermalis.
A mídia grega havia informado que a Igreja estava irritada com o museu, mas não houve nenhum comunicado oficial do Sínodo Sagrado.
Gavras protestou fortemente contra qualquer mudança em seu filme, dizendo que pediria a remoção de seu nome da obra, caso fosse cortada.