Rio de Janeiro, 11 de Agosto de 2026

Município de São Paulo registra mais de 119 mil casos de conjuntivite em menos de dois meses

Quinta, 31 de Março de 2011 às 12:10, por: CdB

Flávia Albuquerque
Repórter da Agência Brasil

São Paulo – A cidade de São Paulo registrou 119.148 mil casos de conjuntivite entre 1º de fevereiro e 25 de março, segundo a Secretaria Municipal da Saúde. Uma mutação no vírus é a causa da conjuntivite mais forte que está acometendo a população da capital paulista, além de outras cidades do estado, de acordo com o oftalmologista do Hospital Beneficência Portuguesa, Arnaldo Gesuele.

Como as pessoas não estão preparadas fisicamente para esse tipo do vírus, disse o médico, o organismo sente a resistência cair e fica mais difícil combater a doença. A conjuntivite provoca inflamações agudas, vermelhidão dos olhos, inchaço da córnea e da pálpebra e visão embaçada.

Segundo o oftalmologista, esses sintomas assustam a população. Por causa da facilidade de transmissão da conjuntivite, assinala, muitas devem deixam de trabalhar e estudar. “Por isso é difícil explicar que esse não é um problema grave, embora seja desagradável. As pessoas [com conjuntivite] precisam fazer muita compressa com água gelada para baixar a temperatura dos olhos, o que faz o vírus vai perder a atividade, além de usar colírios lubrificantes. Se no terceiro dia não melhorar, elas devem procurar um oftalmologista para indicar um medicamento mais específico.”

O Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) divulgou hoje (31) comunicado alertando os médicos sobre o alto número de casos na cidade. No texto, os profissionais são orientados sobre o tipo de conjuntivite detectada na maioria dos atendimentos. Segundo o Cremesp, outras doenças podem surgir durante a evolução da conjuntivite, podendo passar despercebidas em surtos. Por isso, a entidade pede atenção para as complicações da própria conjuntivite, da ulceração da córnea e da blefarite.

O ciclo da conjuntivite demora de sete a dez dias. Mesmo depois de curada, a doença ainda pode deixar as pessoas com os olhos vermelhos por até um mês, o que é considerado normal, de acordo Gesuele. O oftalmologista afirmou que as conjuntivites são sazonais, sendo que 95% dos casos atuais são do tipo viral, que é inflamatória, e 5% do tipo bacteriana, que é infecciosa. “No caso da viral é preciso sair do ambiente de trabalho e de estudo. Ambientes fechados, com ar-condicionado e muitas pessoas juntas contribuem para a transmissão do vírus”.

A agente de saúde Edineide Brito Lourenço, 35 anos, é uma das moradoras de São Paulo que contraiu conjuntivite neste ano. Ela disse que a doença lhe foi transmitida pelo marido. Durante cinco dias, Edineide ficou com irritação nos olhos. O casal tem três filhos e apenas um não teve a doença. “Quem teve primeiro a doença foi a minha filha de 15 anos. Em seguida, foi a minha filha de 11 anos, depois o meu marido e finalmente eu.” Segundo Edineide, no primeiro dia o desconforto foi pior por causa de uma febre alta.

Edição: João Carlos Rodrigues

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