Raramente executada nos palcos cariocas, a obra Stabat Mater, de Antonín Dvórak, foi escolhida para abrir a temporada 2008 do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Criada a partir de um poema do século XIII sobre a dor de Maria ante a crucificação de Jesus, a composição sacra será apresentada aos cariocas na Sexta-Feira da Paixão e no Sábado de Aleluia. À frente da Orquestra Sinfônica e do Coro do TMRJ, estará o diretor artístico da casa, o maestro Roberto Minczuk.
O concerto terá como solistas Elizabeth Whitehouse (soprano), Adriana Clis (mezzo soprano), Reginaldo Pinheiro (tenor) e Hernan Iturralde (baixo).
– O Stabat Mater de Antonín Dvorák é uma das obras mais emblemáticas para retratar a crucificação de Jesus Cristo - ressaltou o maestro Minczuk.
O texto é baseado em um poema devocional escrito no século XIII, possivelmente por um monge franciscano. Fala da dor de Maria ao pé da cruz e a esperança da ressurreição.
– É uma obra poderosa, com imensa intensidade espiritual, com grande qualidade sinfônica proveniente de uma extrema simplicidade. Vários compositores escreveram música para os versos do Stabat Mater, mas Dvórak realmente chegou a um resultado impactante - completou.
Das quatro composições sacras de Dvórak, Stabat Mater é a única que não foi feita por encomenda, mas por impulso próprio. Ele começou a escrevê-la em 1875, quando perdeu uma filha recém-nascida. Dois anos depois, outros dois filhos do compositor morreram ainda crianças, e ele terminou a obra em seguida:
– Certamente essa sucessão de tragédias pessoais semelhantes àquela experimentada por Maria o levaram a uma compreensão da dor e a uma facilidade maior para expressar o sentimento - concluiu o maestro.
Julga-se ser de Jacopone da Todi, franciscano italiano, a autoria desses versos. No final do século XV, o poema passou a fazer parte da liturgia católica.
No palco do Teatro Municipal a grandiosidade do tema do concerto também será percebida visualmente, através do trabalho que a artista plástica Ana Durães criou para a cúpula ao redor do palco: uma mágica composição de figuras clássicas e renascentistas.
O compositor tcheco Antonín Dvorák (1841-1904) escreveu um grande número de peças, como sinfonias – entre as quais a famosa Sinfonia do novo mundo-, óperas, poemas sinfônicos, cantatas e centenas de peças instrumentais e vocais, mas apenas quatro composições sacras. Stabat Mater é uma delas.
Municipal abre sua temporada nesta sexta com obra de Dvórak
Quarta, 19 de Março de 2008 às 07:54, por: CdB