Rio de Janeiro, 30 de Agosto de 2026

Mundo quer acordo complexo e integrado sobre clima

As negociações climáticas de novembro e dezembro no México buscarão chegar a um complexo conjunto de acordos integrados contra o aquecimento global, mas não devem resultar em um novo tratado de cumprimento obrigatório, disse a principal autoridade climática da ONU.

Quinta, 11 de Novembro de 2010 às 09:27, por: CdB

As negociações climáticas de novembro e dezembro no México buscarão chegar a um complexo conjunto de acordos integrados contra o aquecimento global, mas não devem resultar em um novo tratado de cumprimento obrigatório, disse a principal autoridade climática da ONU. Christiana Figueres disse que os governos reduziram suas ambições para o evento de 29 de novembro a 10 de dezembro em Cancún, depois do fracasso da reunião de 2009, em Copenhague, na busca por um novo tratado climático. – Este é um processo complexo e vai ser um processo lento –, disse a costa-riquenha. Uma das resoluções possíveis em Cancún é a criação de um novo "Fundo Verde", com um valor de US$ 100 bilhões anuais a partir de 2020, para lidar com a ajuda climática de longo prazo às nações em desenvolvimento. Isso deveria ser completado, inclusive com mecanismos de compartilhamento de energias limpas e de proteção das florestas tropicais, entre outras medidas. – Não ouço nenhuma parte dizer que haveria a possibilidade de apenas escolher alguns dos componentes e levá-los adiante. O que eu ouço das partes é sobre a necessidade de um pacote equilibrado. – Um acordo em Cancún não irá resolver todo o problema –, acrescentou Figueres, que dirige o Secretariado de Mudança Climática da ONU, com sede em Bonn, na Alemanha. Ela não disse quais seriam os riscos para o processo caso um dos elementos seja deixado de lado. Figueres afirmou também que o governo dos EUA deveria manter sua promessa de reduzir as emissões de gases do efeito estufa em 17% até 2020, em relação aos níveis de 2005, embora isso não tenha chances práticas de virar lei, já que os republicanos, contrários aos cortes, terão maioria na Câmara dos Deputados a partir de 2011. – O mundo certamente espera que os Estados Unidos cumpram essa promessa –, disse ela, acrescentando que Obama teria a opção de regulamentar esses cortes por meio da Agência de Proteção Ambiental. Segundo ela, as ofertas de redução das emissões feitas pelos vários países até agora seriam insuficientes para limitar o aquecimento global a 2 graus Celsius, conforme prevê o documento aprovado em Copenhague, sem caráter vinculante. A temperatura já subiu 0,7 grau Celsius em relação aos níveis pré-industriais. A dirigente da ONU afirmou também que Cancún seria uma boa oportunidade para as nações desenvolvidas firmarem seus compromissos de redução de emissões. Muitos governos, como da Austrália e União Europeia, condicionam suas ações às metas adotadas por outros países. Ela disse também que um dos principais entraves nas negociações é se o primeiro passo no "Fundo Verde" seria uma "decisão política" pela sua criação, a ser tomada em Cancún, ou se o ideal seria primeiro desenvolver seus mecanismos para depois colocá-lo em prática, como querem os EUA, por exemplo. – Estou confiante de que as diferenças que ainda estão sobre a mesa podem ser resolvidas –, afirmou ela.

Tags:
Edições digital e impressa