O mundo está fazendo menos do que 1/3 dos esforços necessários para alcançar os objetivos a que se propôs durante a Cúpula do Milênio das Nações Unidas, denuncia um relatório do World Economic Forum (WEF), que está sendo divulgado nesta quinta-feira em Genebra.
- As tentativas de cumprimento dos principais objetivos que foram estabelecidos pela comunidade internacional para melhorar as condições do mundo mostram um quadro decepcionante - diz o relatório anual da Iniciativa de Governança Global (GGI, sigla em inglês) do WEF.
De acordo com o resumo do relatório distribuído pelo WEF, uma equipe de mais de 40 especialistas de todo o mundo, supervisionados por um amplo comitê, concluiu que os governos, organizações internacionais, empresas e a sociedade civil estão realizando somente 1/3 dos esforços e parcerias necessárias para alcançar os objetivos da Declaração do Milênio, compromisso assumido em setembro de 2000 durante a Cúpula do Milênio das Nações Unidas.
Na época, líderes de 189 países, entre eles o Brasil, endossaram um conjunto de objetivos nas áreas de paz e segurança, pobreza, fome, educação, saúde, meio ambiente e direitos humanos, com prazos específicos que vão até 2015.
O GGI constatou que, durante 2003, a comunidade internacional não obteve em nenhum segmento pontuação maior do que 4, em uma escala de 0 a 10. A escala mede o nível de esforços e cooperação necessários para alcançar os objetivos da reunião de 2000 (veja logo abaixo as pontuações alcançadas em cada um desses temas).
O relatório do GGI dedica um capítulo para cada um dos temas, destacando problemas notáveis, bem como sucessos conseguidos no ano passado.
De acordo com Mark Moody-Stuart, um dos membros do comitê de direção que comandou a pesquisa, e presidente do Conselho da Anglo American Plc, todos os elementos da sociedade precisam trabalhar de forma mais eficaz se quiserem mesmo cumprir com os objetivos até 2015.
- Nenhum grupo sozinho poderá alcançar essas metas - diz Moody-Stuart.
A diretora executiva da Ethical Globalization Initiative e ex-presidente da Irlanda, Mary Robinson, afirma que, para oferecer dignidade humana para todos, é importante considerar objetivos por meio de estratégias coordenadas que identifiquem as diferentes responsabilidades de todos os protagonistas.
Consultado pelo WEF, Moises Naim, editor da revista Foreign Policy, diz que o relatório é uma abordagem rigorosa e incisiva para avaliar quanto progresso o mundo está fazendo para enfrentar o que todos concordaram ser prioridades urgentes. Por isso, diz o WEF, o relatório é uma ferramenta confiável para classificar o progresso que está sendo feito.
- Se esta iniciativa não existisse, ela teria de ser inventada rapidamente - disse.
John Ruggie, conselheiro especial do secretário geral das Nações Unidas, afirma que não há dúvidas de que o relatório gerará controvérsias.
- Mas isso, por si só, pode ter um papel saudável e construtivo na melhoria da performance em geral - acrescenta.
Al Sommer, diretor da Johns Hopkins School of Public Health, diz que não é nenhuma surpresa que as conquistas, até o momento, não tenham alcançado as necessidades e objetivos propostos.