Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Mundo acompanhou o declínio da saúde do papa

Quinta, 31 de Março de 2005 às 17:41, por: CdB

Durante seu longo pontificado, o mundo acompanhou os altos e baixos da saúde de João Paulo II como se ele fosse um parente próximo.

O papa que foi eleito em 1978 era um homem robusto, que viajava pelo mundo todo e deixava assessores mais jovens sem fôlego durante escaladas e práticas de esqui. Anos depois, transformou-se em um ancião abatido pelo mal de Parkinson e pela artrite, confinado na maior parte do tempo a uma cadeira de rodas.

Na quinta-feira, o Vaticano divulgou que ele sofre também de uma infecção urinária e de febre elevada, além de dificuldades respiratórias e outras complicações que já haviam provocado sua internação em fevereiro. O papa vem respirando por um buraco aberto em sua traquéia e, desde esta semana, recebe alimentação por um tubo que vai do nariz ao estômago.

Em 1981, apenas três anos depois de ser eleito, Karol Wojtyla sobreviveu a uma tentativa de homicídio que destruiu grande parte do seu intestino. Apesar disso, ele se recuperou rapidamente.

Na década de 1990, porém, suas várias enfermidades já apresentavam consequências visíveis, e os católicos começaram a temer pela morte iminente do pontífice. Mas João Paulo 2o. resistiu, fazendo do seu sofrimento público um sermão silencioso sobre a dignidade de cada pessoa, sã ou doente.

Nos últimos anos, assessores o convenceram a limitar suas atividades. Em várias ocasiões, ele compareceu a missas importantes, mas deixou que outros religiosos as oficiassem.

Em 2003, a artrite tornou praticamente impossível que ele ficasse em pé ou andasse sem sofrer dores atrozes. Nem uma bengala ajudava. Os técnicos do Vaticano então criaram um trono sobre rodas, que poderia ser erguido para que o papa rezasse as missas sem se levantar.

O pontificado de João Paulo 2o. foi o mais público da história, e o mundo o viu envelhecer. A presença de câmeras de televisão em todas as suas aparições funcionaram sempre como uma lupa sobre sua saúde.

Nos últimos anos, sua mão esquerda passou a tremer incontrolavelmente. Seu rosto, rubro e anguloso, como é típico dos eslavos, se tornou inchado e duro, devido ao mal de Parkinson e aos remédios usados para controlar a doença.

O papa assustou o mundo em setembro de 2003, quando parecia particularmente frágil durante uma viagem à Eslováquia, ocasião em que assessores tiveram de ajudá-lo a concluir seus discursos.

Tal fraqueza era novamente evidente no mês seguinte, nas cerimônias de 25 anos do pontificado. Ele então passou alguns meses descansando e parecia relativamente bem de saúde em 2004.

Mas, em fevereiro deste ano, o calvário recomeçou: João Paulo 2o. foi internado duas vezes no hospital Gemelli, de Roma, com problemas respiratórios. Na segunda hospitalização, sofreu uma traqueostomia, que o deixou incapaz de falar para abençoar os fiéis nas duas ocasiões que teve para isso desde então.

Tantos problemas de saúde inevitavelmente despertaram questões sobre a possibilidade de ele renunciar, algo que não acontece desde Celestino 5o., em 1294. Mas João Paulo 2o. disse que estava determinado a ver o fim da missão que Deus reservou para ele.

Os católicos se dividem. Alguns acham que a doença do papa paralisa a Igreja, enquanto outros vêem na sua agonia pública uma inspiração para um mundo em que os idosos são frequentemente esquecidos em asilos.

Antes que sua saúde começasse a piorar notoriamente, na década de 1990, o papa tinha uma grande capacidade de se recuperar de acidentes e doenças, o que se atribuía ao seu entusiasmo por atividades físicas, mesmo quando já tinha se tornado bispo.

A primeira internação de Karol Wojtyla como papa ocorreu três anos depois da eleição. Foi em 13 de maio de 1981, quando o turco Mehmet Ali Agca disparou contra ele durante uma audiência na praça de São Pedro.

Ferido no estômago e em uma mão, o papa quase morreu. Por muito pouco, as balas não atingiram seus órgãos vitais. A cirurgia, no mesmo hospital Gemelli, durou cinco horas.

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