Rio de Janeiro, 22 de Janeiro de 2026

Mundo: A emergência da futura potência mundial

Por Roberto Savio: É possível que dentro de 20 anos este século não seja norte-americano, nem europeu, mas asiático. O que se debate é se a futura potência mundial será a China ou a Índia. No momento, não há dúvidas de que a China leva a dianteira.. (Leia Mais)

Domingo, 06 de Maio de 2007 às 08:09, por: CdB

É possível que dentro de 20 anos este século não seja norte-americano, nem europeu, mas asiático. O que se debate é se a futura potência mundial será a China ou a Índia. No momento, não há dúvidas de que a China leva a dianteira. Nos últimos 25 anos, a China instrumentalizou um programa de reformas econômicas, uma combinação de políticas governamentais e de iniciativa privada em níveis locais com a utilização de trabalho eficiente e barato no contexto de uma economia aberta ao comércio internacional que atrai ingentes investimentos estrangeiros e importação de tecnologias.

Em 2006, foram investidos na China US$ 60,3 bilhões contra US$ 4,6 bilhões na Índia. O grau de alfabetização chinês é de 90%, contra 60% na Índia. Este país conseguiu nos últimos anos um respeitável aumento da média de produtividade (4,1%), mas a China o superou com 8.7%. Nos últimos 15 anos, o grau de ocupação no setor de serviços triplicou na China, enquanto na Índia aumentou 20%.

Os partidários da Índia têm uma visão diferente. Destacam a vantagem de contar com empresas que estão integradas à economia mundial desde os tempos da colonização britânica, como demonstram as ofertas de aquisição da Mittal Steel pela Arcelor e da Tata Steel pela Corus. A Índia vem imediatamente depois da China quanto ao crescimento e, embora a maioria de sua população tenha baixo nível educacional, possui o maior número de engenheiros e cientistas no mundo e é o maior centro de terceirização de informática e serviços telemáticos.

Segundo os defensores da China, a emergência da Índia está sendo superdimensionada com a intenção de servir de contrapeso à inevitável ascensão da China como primeira potência mundial até 2025. A expansão chinesa provoca temores. Em 1975, o produto interno bruto da Índia superava o da China em 9%, hoje o PIB indiano é de apenas 40% do chinês. A China se converteu em um motor fundamental da economia planetária, que a cada ano recicla seu superávit comercial de US$ 124 bilhões com os Estados Unidos mediante a compra de bônus do Tesouro norte-americano. Está acelerando o processo de urbanização e estima-se que 400 milhões de camponeses mudarão para as cidades antes de 2020, passando dos atuais 41,8% para 75% de urbanização. Nos países ocidentais uma transformação semelhante demorou três séculos.

A atitude chinesa consiste em minimizar sua projeção global. Em conversas privadas os dirigentes chineses afirmam que só quando seu país conseguir resolver seus problemas internos - não antes de 2025 - poderá ocupar-se dos assuntos internacionais. Aqui surge uma questão capital: se a mágica data de 2025 tiver fundamento, significa que a China está destinada a desempenhar um papel de potencial mundial em qualquer caso e mais além de suas intenções. Recordamos que em função de seu crescimento Pequim requer imensas quantidades de matérias-primas, particularmente petróleo, do qual importa 70% dos 5,5 milhões de barris que consome diariamente. Calcula-se que essa quantidade duplicará nos próximos anos que isto levará a um choque de interesses com os Estados Unidos, extremamente sensível em matéria de petróleo.

Em conversações privadas, o presidente Hu Jintao prevê que no ritmo atual de endividamento com a China não é plausível que Washington possa ter alguma capacidade de pressionar Pequim e acrescenta não ser realista a hipótese de um conflito militar que - afirma - os Estados Unidos não poderiam vencer. Além da imensa quantidade de bônus norte-americanos que poderia vender, a China poderia converter em euros os US$ 680 bilhões de suas reservas, subjugando a economia norte-americana. Os dirigentes de Washington afirmam que essa hipótese é absurda porque, devido à interdependência dos dois países, a crise também atingiria a China. Hu Jintao diz que essa tese é aceitável enquanto Washington se comportar corretamente, mas que se os norte-americanos optarem por enfrentar a China, uma m

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