Apesar de várias desistências importantes na última semana, 32 campeões olímpicos vão participar do décimo Mundial de Atletismo, que começa neste sábado.
Após 22 anos, o evento volta à Finlândia, que realizou a primeira edição num momento em que sucessivos boicotes políticos ameaçavam o futuro dos Jogos Olímpicos.
"Sempre se diz que a alma do atletismo reside na Finlândia. Não há outro lugar no mundo onde o público ame o atletismo com paixão tão profunda e tamanha compreensão das tecnicalidades do evento - afirmou o presidente da Associação Internacional das Federações Atléticas, Lamine Diack.
Lembrando a sórdida realidade do esporte profissional, Diack disse também que praticamente metade dos competidores será submetida a exames antidoping.
- Planejamos ter o mais ambicioso e abrangente sistema de testes já ativado em um mundial de atletismo - afirmou.
Serão realizados cerca de cem exames de sangue e também haverá testes para identificar o hormônio do crescimento humano em atletas.
O destaque no primeiro fim-de-semana é a prova dos 100 metros rasos para homens. O campeão olímpico norte-americano Justin Gatlin é o favorito, pois o novo recordista mundial, Asafa Powell, contundido, desistiu.
Na ausência dele, a maior esperança da Jamaica fica com a campeã olímpica dos 200 metros Verônica Campbell, que tenta o bi em Helsinque.
- Eu diria que ambos são muito desafiadores, mas os 100 metros são um pouco diferente, é o mais técnico. Acho que os 100 metros estão em aberto. Vai ser de quem precisar mais e de quem tiver mais explosão e força na hora. Vai ser muito excitante -disse Campbell, bronze nessa prova em Atenas"
No sábado também haverá o começo do heptatlo, na prova dos 100 metros com barreiras. A favorita é a sueca Carolina Kluft, dona de todos os títulos possíveis, mas ela terá como adversária a francesa Eunice Barber, campeã mundial em 1999.
Kluft tornou-se a primeira mulher a marcar mais de 7.000 pontos, no Mundial de Paris, em 2003. Barber quer entrar para esse clube.
- Estou pronta para fazer 7.000 pontos. Estou de volta, reencontrei o espírito competitivo. Acho que poderei quebrar minha marca pessoal - disse ela.
Enquanto Kluft já é campeã mundial e olímpica, a britânica Paula Radcliffe ainda busca uma medalha, de qualquer cor, em campeonatos mundiais. Em Atenas-04, ela teve uma semana dramática e não conseguiu concluir nem a maratona - prova em que é recordista mundial - nem os 10 mil metros.
Mas ela se recuperou e venceu as maratonas de Nova York e Londres. Decidiu então disputar ambas as provas na Finlândia, embora tenha deixado claro que a prioridade será a maratona, no domingo, dia seguinte aos 10 mil metros.
Haverá duas outras finais no sábado: a marcha masculina dos 20 quilômetros e o lançamento de peso para homens, em que o norte-americano John Godina, 33, tenta o tetra, apesar de lesões no pé e nos cotovelos.
- Definitivamente não estou sadio. É provavelmente a temporada mentalmente mais difícil da minha carreira até agora - afirmou.