O britânico Simon Anholt criador do ranking Anholt-GfK Roper Nation Brands, em entrevista ao Estado de S. Paulo nesta semana, alertou sobre a possibilidade de o Brasil perder pontos na sua atual posição na classificação após sediar a Copa do Mundo.
O conceito "marcas de países", inventado por ele, atesta a reputação e a recepção da marca de 50 nações no mercado mundial. Segundo o consultor britânico, o país correria um suposto risco de repetir a experiência da África do Sul que, após sediar o mundial, perdeu pontos no ranking britânico.
Anholt se diz "um apaixonado pela marca Brasil". Afirma que nosso país tem uma reputação fortíssima e crescente em todo o mundo - entre os 50 países medidos pelo seu ranking, o Brasil é o único entre os emergentes que se encontram nas 20 primeiras posições. Segundo o consultor, a posição brasileira conquistada no ano passado se deve ao crescimento do nosso poder econômico, mas também a fatores como "a Copa, as Olimpíadas e a reputação de Lula".
Para o inglês, a marca brasileira é "colorida e atraente e as pessoas admiram o estilo de vida brasileiro". Na sua visão, porém, precisamos mostrar ao mundo que o Brasil não é só "atraente, simpático e caloroso". Anholt teme que país esteja prometendo demais.
Contra argumentos, nada melhor do que os fatos. Vale destacar que o Brasil sediou com sucesso em 2007, no Rio de Janeiro, os Jogos Panemaricanos (PAN) que nos credenciou, inclusive, para disputarmos o mundial do futebol em 2014. Para quem não se lembra, há quatro anos oferecemos toda a infraestrutura necessária para acomodar cerca de 5.662 atletas e delegações de 42 países. Outro exemplo, bastante recente aliás, foi a 5ª edição dos Jogos Mundiais Militares no Rio de Janeiro. Foram cerca de 8 mil participantes (6 mil atletas e 2 mil delegados) de mais de cem países.
Essas competições já comprovaram a nossa capacidade para sediar grandes eventos esportivos, além da disposição da sociedade brasileira em receber os atletas e o público de campeonatos. Elas são bem-vindas. Mundiais trazem mais empregos, mais estruturas de esporte e lazer para nossa juventude, mais turismo e mais serviços. Além de investimentos em áreas fundamentais como a modernização dos nossos aeroportos, por exemplo. Todas são mudanças que o Brasil espera, assim como oportunidades que não serão negligeciadas.
Rio de Janeiro, 07 de Outubro de 2026
Edições digital e impressa