Guilherme Cunha Costa, ex-assessor especial do presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, é um dos funcionários da Camargo Corrêa citados na Operação Castelo de Areia, deflagrada pela Polícia Federal, semana passada, que levou à prisão diretores e funcionários da empreiteira Camargo Corrêa. De acordo com a investigação, Skaf seria um "suposto intermediário" da empreiteira com os partidos políticos envolvidos em doações ilegais e tráfico de influência para favorecimento da empreiteira. Todos os suspeitos já foram liberados, mediante decisão da Justiça Federal.
Costa ocupou o cargo de diretor de Relações Institucionais da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), na época em que Skaf presidia a instituição patronal. O atual funcionário da empreiteira também foi um dos coordenadores da campanha de Skaf para a Presidência da Fiesp, onde ocupou cargo de assessor da instituição junto ao Congresso, em Brasília, até 2007, quanto passou a trabalhar no escritório da Camargo Corrêa. Costa, no entanto, é conhecido no meio político como uma espécie de relações-públicas do presidente da Fiesp, tanto devido à sua ligação com o industrial quanto por conta de seu trânsito fácil com parlamentares de todos os partidos.
Mais fantasmas
Izolda da Silva Lima, empregada do deputado federal licenciado e secretário de Transportes do Distrito Federal, Alberto Fraga (DEM), recebe seu salário de empregada doméstica na casa do parlamentar com recursos da Câmara. Ela é contratada como secretária parlamentar, mas cuida dos afazeres domésticos da residência de Fraga, localizada em área de 1.875 m² às margens do lago Paranoá, região nobre de Brasília. A doméstica manteve-se contratada pelo gabinete do suplente de Fraga, Osório Adriano, também do DEM, que negou aos jornalistas sequer conhecer a funcionária.
Fraga é coronel da reserva da Polícia Militar, conhecido na Câmara como o principal articulador da "bancada da bala". Em 2005, presidiu a frente parlamentar contra a proibição do comércio de armas no país. Em 2007, assumiu a Secretaria de Transportes distrital.
Em situação semelhante encontra-se a filha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Ela foi contratada como funcionária do gabinete do senador Heraclito Fortes (DEM-PI) e não aparece no gabinete. Prefere ficar em casa porque o seu local de trabalho é "uma confusão", segundo afirmou a um jornal paulistano.
Nepotismo à solta
Fernando Aurélio de Azevedo Aquino e a mulher dele Leila Carla, são apenas dois dos oito parentes de uma mesma família, contratados pelo senador Gilvam Borges (PMDB-AP), que se amontoam no gabinete do parlamentar. Dividindo o espaço mínimo do escritório, cheio de finas divisórias, todos os parentes são comissionados, exceto o advogado Fernando Aquino, que é servidor concursado. Os familiares permanecem no gabinete de Gilvam mesmo após a súmula 13 do Supremo Tribunal Federal (STF), que proíbe o nepotismo nos Três Poderes.
Outro parente é Tersandro Benvido de Aquino, o seu Sandro, pai do advogado. É ele quem cuida dos negócios de Gilvam nos ministérios, quando acompanha o andamento de projetos de interesse de municípios do Amapá, como Calha Norte e ações da Funasa.
Na opinião de outros advogados, Fernando Aquino pode dizer que não fere a lei, pois não foi ele quem nomeou os parentes e, sim, o senador. Mas a situação pode ser contestada com o argumento de que se trata de uma situação forjada para contornar a lei do nepotismo.