Rio de Janeiro, 11 de Fevereiro de 2026

Multidão vai às ruas para comemorar 60 anos do Paquistão

Terça, 14 de Agosto de 2007 às 08:20, por: CdB
Multidões foram às ruas em várias cidades do Paquistão para celebrar os 60 anos da criação do país - em 14 de agosto de 1947, com o fim do domínio britânico.

A celebração na capital, Islamabad, incluiu um show de fogos de artifício em frente ao Parlamento e um minuto de silêncio em memória às centenas de milhares de pessoas que morreram durante a partilha do território indiano.

Uma multidão, portando bandeiras do país, acompanhou o show de fogos. Pouco depois, segundo o correspondente da BBC Dan Isaacs, em Islamabad, uma forte tempestade caiu e encheu as ruas de lama.

O presidente Pervez Musharraf marcou a data com um discurso em que defendeu a soberania nacional e pediu que o país se una contra o terrorismo.

"Não estamos enfrentando o terrorismo pelos Estados Unidos, estamos fazendo isso por nós mesmos. Vejo tudo de um ponto de vista do Paquistão. Agora, se o ponto de vista do Paquistão serve para os Estados Unidos, tudo bem", disse Musharraf segundo a agência de notícias estatal do país. As comemorações deverão se estender por toda esta terça-feira.

Al-Qaeda

Musharraf rejeitou as sugestões de alguns políticos americanos, de que os Estados Unidos deveriam usar força militar, se necessário, para combater a Al-Qaeda no Paquistão, sem a permissão do governo paquistanês.

- Tenho 200% de certeza de que estes (comentários) não são oficiais e nem foram feitos no nível do governo - disse.

Musharraf acrescentou que a Al-Qaeda e outras organizações militantes que usam áreas na fronteira do Paquistão são uma ameaça ao país e devem ser combatidas.

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, e a rainha Elizabeth 2ª enviaram mensagens ao governo paquistanês.

Em sua mensagem, Brown afirmou que "a história, os valores e as esperanças" do Paquistão estão "permanentemente interligados" aos da Grã-Bretanha.

Em 1947, o fim do domínio do Império Britânico na Índia resultou em dois países independentes. A própria Índia, que abrigou a população hindu e sikh, e o Paquistão - dividido em um território no Oeste e outro no Leste (que em 1971 se tornou Bangladesh) -, para onde foram os muçulmanos.

Essa partilha do território indiano, baseada na religião, resultou na migração em massa de quase 15 milhões de pessoas: muçulmanos indo da Índia em direção ao Paquistão, hindus e sikhs fazendo o caminho inverso.

Calcula-se que entre 200 mil e 1 milhão de pessoas tenham morrido na violência que se seguiu à divisão - que muitos consideram uma das maiores tragédias do século 20.

Prisioneiros

Para marcar a data, o governo do Paquistão também permitiu que 134 prisioneiros indianos voltassem para casa. A maioria deles, segundo as autoridades paquistanesas, pescadores presos quando cruzaram a fronteira.

Na Índia, as comemorações da independência serão realizadas nesta quarta-feira.

O governo indiano deverá libertar mais de 100 prisioneiros paquistaneses, segundo informações do Ministério de Relações Exteriores do Paquistão à agência de notícias AP.

O correspondente da BBC em Islamabad afirma que as comemorações no Paquistão ocorrem em meio a um período tenso no país, com crescente oposição de militantes islâmicos ao governo do presidente Pervez Musharraf.

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