Um cortejo formado por cardeais e padres acompanhou o corpo do papa João Paulo 2o. em seu último trajeto desde seu palácio até a Basílica de São Pedro, onde será enterrado.
A plataforma sobre a qual jaz aquele que percorreu o mundo todo iniciou sua curta viagem no Palácio Apostólico do Vaticano, onde ele morou, e a concluiu na maior igreja do catolicismo, onde o papa será sepultado na sexta-feira.
Ao passo que a noite caía no Vaticano, as portas da Basílica foram abertas e dezenas de milhares de pessoas começaram a entrar para prestar as últimas homenagens a um homem que alguns chamavam de "João Paulo, o Grande".
Muitos fiéis começaram a fazer fila no início da manhã para ver o pontífice, que estava de vestimentas brancas e carmesim, e outros milhares encararam uma longa espera.
"Toda a minha vida ele esteve comigo nos momentos mais difíceis. Eu esperaria pela eternidade para vê-lo", disse Marcella Sogos, 36, que veio da região italiana da Sardenha para o Vaticano.
Mais cedo, numa cerimônia solene transmitida pela televisão, o corpo do papa foi carregado numa procissão de sacerdotes vestidos de vermelho, além de acompanhantes de terno, percorreu vagarosamente os corredores adornados com afrescos, desceu as escadarias de mármore e chegou à praça São Pedro, lotada por dezenas de milhares de fiéis.
Quando o corpo do papa polonês surgiu na praça, deitado sobre a plataforma com as mãos sobre o peito, a multidão aplaudiu, no tradicional sinal de respeito aos mortos na Itália.
Na entrada da basílica, os 12 homens que carregavam o corpo o viraram por um instante para que o papa ficasse uma última vez diante da praça, a mesma onde comandou milhares de audiências gerais e missas.
Em sua primeira reunião desde a morte do papa, no sábado, os cardeais decidiram realizar o enterro na sexta-feira. A cerimônia deve atrair o maior fluxo de peregrinos e chefes de Estado da história do Vaticano.
Horas antes do início da visitação, um número estimado pela polícia em mais de 100 mil pessoas já fazia fila na ampla avenida que vai do rio Tiber até a basílica. Os cardeais decidiram que o papa ficará na basílica por três dias para que os fiéis, que vêm de toda a parte do mundo, possam prestar suas homenagens.
"Para mim, ele foi outro Cristo. Ele viveu verdadeiramente a vida de Jesus. Ele nos ensinou a viver, a sofrer, a amar e até a morrer", disse a irmã Simone, da Austrália, que estava num grupo de freiras da ordem de madre Teresa. Questionada se não se intimidava com a longa espera, ela disse: "Ele sacrificou a vida inteira pela Igreja, portanto algumas horas não são nada".
O corpo do papa foi transportado sobre uma liteira de veludo vermelha, ladeado por guardas suíços de uniforme cerimonial. Foi colocado perto do túmulo de São Pedro, que foi o primeiro papa.
O cardeal Eduardo Martinez Somalo, o "camerlengo" do Vaticano, abençoou o corpo com água benta e incenso, ao som de um coro em latim.
"Dai a ele o descanso eterno, Senhor, e brilhai sua luz sobre ele por toda a eternidade", disse Martinez Somalo.
Os cardeais ocuparam as primeiras fileiras da basílica. Dentre eles vai sair o próximo papa, a ser decidido num conclave que se realizará ainda este mês.
A cerimônia fúnebre vai ter início às 10h (5h pelo horário de Brasília) na sexta-feira. O presidente dos EUA, George W. Bush, e o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva estarão entre os cerca de 200 líderes mundiais presentes.
O porta-voz do Vaticano, Joaquin Navarro-Valls, disse que depois da cerimônia o papa será enterrado sob a basílica, como é o costume para os pontífices, acabando com a especulação de que João Paulo 2o. queria ser enterrado na Polônia, sua terra natal.
Sessenta e cinco cardeais estavam em Roma na segunda-feira para a reunião. No total, 117 poderão participar do conclave que elegerá o próximo papa. Ainda não havia decisão sobre a data do início do conclave, que precisa começar entre 15 e 20 dias após a morte do pontífice.
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