Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Multidão aguarda enterro do papa; visita ao corpo é encerrada

O testamento do papa João Paulo 2o., divulgado na quinta-feira, mostra que em 2000 ele pediu a Deus que o orientasse sobre se deveria ou não abdicar. Na véspera do enterro dele, presidentes e patriarcas se juntaram à multidão em Roma. (Leia Mais)

Quinta, 07 de Abril de 2005 às 18:16, por: CdB

O testamento do papa João Paulo 2o., divulgado na quinta-feira, mostra que em 2000 ele pediu a Deus que o orientasse sobre se deveria ou não abdicar. Na véspera do enterro dele, presidentes e patriarcas se juntaram à multidão em Roma.

Centenas de pessoas dormem nas ruas próximas ao Vaticano, prontas para correrem para a Praça de São Pedro na manhã de sexta-feira, quando ela for aberta para o maior funeral da história moderna.

Funcionários do Vaticano fecharam as portas da basílica do século 16 na noite de quinta-feira (à tarde no Brasil), encerrando quatro dias de velório. Durante esse período, milhões de peregrinos de todo o mundo esperaram pacientemente na fila, durante até 16 horas, para homenagear o pontífice, morto no sábado.

A Itália fechou o espaço aéreo sobre Roma e convocou forças extraordinárias, baterias antiaéreas e barcos de patrulha para vigiar o enterro do papa polonês.

O testamento dele, divulgado na quinta-feira, indica que em 2000, quando completou 80 anos e já sofria com o mal de Parkinson, o papa se atormentava em pensar por quanto tempo ainda conseguiria comandar a Igreja Católica.

Embora ele repetisse sempre que sua vida estava nas mãos de Deus, uma frase no texto parecia ser um pedido por iluminação. "Espero que Ele Deus me ajude a entender até que momento eu tenho de continuar este serviço para o qual me chamou em 16 de outubro de 1978", afirmou João Paulo 2o., citando a data de início do seu longo pontificado.

Líderes mundiais, entre os quais os reis da Espanha, Juan Carlos e Sofia, e o novo presidente da Ucrânia, Viktor Yushchenko, foram levados para dentro da basílica para ver o corpo do papa antes que ele seja colocado no caixão para o funeral, que começa às 10h de sexta-feira (5h em Brasília).

Roma foi invadida por milhares de peregrinos poloneses, que chegaram de avião, trem e ônibus. "Precisamos dizer adeus a ele", afirmou Rafal Baranski à Reuters durante as 24 horas de viagem entre Cracóvia e Roma.

"Não me importa que haja multidões, não me importa que não saibamos onde dormir. É importante estar lá", declarou.

Na noite de quarta-feira, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, rezou junto ao corpo de João Paulo 2o., acompanhado por seus antecessores Bill Clinton e George Bush, seu pai.

Durante o funeral, Bush estará separado por poucos metros do presidente Mohammad Khatami, do Irã, um dos países que Washington qualifica como parte do "eixo do mal". Outros governantes de países inimigos também vão se cruzar no Vaticano, numa adequada homenagem a um papa que pregou a paz e a união.

O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, está a caminho do Vaticano, apesar de a União Européia ter imposto restrições aos deslocamentos dele, devido às acusações de fraude eleitoral ocorrida em 2000.

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) vai enviar o avião-espião Awacs para patrulhar o céu romano durante a reunião de líderes mundiais, que a entidade considerou "possivelmente sem precedentes".

A Itália mantém mísseis terra-ar Spada e Hawk escondidos em vários pontos da cidade, segundo as autoridades. Helicópteros militares sobrevoam o Vaticano, um navio de guerra patrulha o litoral próximo e mais de 6.500 soldados vigiam a cidade.

Esquadrões antibomba fazem vistorias regulares, mas a maior preocupação continua sendo controlar a multidão.

Cerca de 4 milhões de fiéis de todo o mundo já lotaram Roma, paralisando a cidade, apesar de não provocarem tumultos. "É um grande tributo ao Santo Padre. Ele foi um homem que comoveu o mundo", disse o cardeal norte-americano Theodore McCarrick. "Você poderia não concordar com ele, mas como não o amaria?"

Para permitir que a enxurrada de peregrinos se aproxime da Praça de São Pedro na sexta-feira, todos os carros serão proibidos de circular em Roma. Órgãos públicos, escolas e muitas lojas não abrirão. Por toda a cidade, foram espalhados 27 telões que vão transmitir as três horas de cerimônia.

Depois disso, os cardea

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