Nesta terça-feira se comemora o Dia Internacional da Mulher. Uma data cada vez mais importante, pois homenageia o esforço e as conquistas de todas as mulheres para alcançar seu lugar na sociedade e realizar seus sonhos. Muitas enfrentam jornada dupla por ter que trabalhar e também cuidar da casa e da família, o que exige muita paciência e habilidade. Mesmo com a vida cheia de tarefas, um contraste é relevante: embora haja aumento do número de mulheres em escolas e universidades, elas ocupam menos postos que os homens e têm salários inferiores, mesmo quando exercem a mesma função.
O INEP (Institutos Nacional de Estudos e Pesquisa Educacionais) é um dos resultados do Plano Nacional de Políticas para as Mulheres, lançado em 2004, e revela, em dados colhidos de 1996 a 2003, que o número de matrículas do sexo feminino na educação infantil cresceu 48,1% enquanto as matrículas do sexo masculino aumentaram 52,5%. As regiões Sul e Sudeste apresentaram os maiores índices de elevação, em ambos os sexos. No Sul, o crescimento feminino foi de 64,3%; o masculino, de 67,9%. No Sudeste, o número de mulheres aumentou 65,9%; o de homens, 69,0%. O Nordeste apresentou os menores índices de crescimento - 23,6% para mulheres e 25,5% para homens.
A pesquisa mostra um grande salto quantitativo tanto para homens quanto para mulheres em termos de graduação. O índice de crescimento feminino, no entanto, foi mais alto. A diferença entre os sexos, que era de 8,7% em 1996, a favor das mulheres, passou para 12,8% em 2003. O crescimento foi observado em todas as regiões, com destaque para as regiões Norte (de 3,9% para 21,2%) e Centro-Oeste (de 15,8% para 19,9%).
A participação das mulheres na educação superior surpreende não apenas pelo número de matrículas de graduação, mas também pela crescente presença no corpo docente, nos níveis mais elevados de titulação. Enquanto o número de professores homens cresceu 67,9% de 1996 a 2003, o de professoras aumentou em 102,2%. De 1998 a 2003, o percentual de mestres na educação superior aumentou em média 112,1%. O crescimento do número de mestres homens ficou abaixo da média (106,1%), enquanto o de mulheres foi de 119,4% - mais de 7% cima da média.
Dados do Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam que a participação da mulher na População Economicamente Ativa (PEA) aumentou 2,5%, em 2003, contra 1,6% dos homens. A taxa de atividade feminina no mercado de trabalho, porém, permaneceu inferior à masculina, 50,7% contra 72,9%.
Segundo o IBGE, as mulheres têm uma média de tempo de estudo superior à dos homens. Em 2003, aproximadamente 55% das mulheres no mercado de trabalho concluíram pelo menos o ensino fundamental, enquanto 55% dos homens empregados não conseguiram terminar esse ciclo.
O aspecto positivo do nível de instrução não se reflete nos salários. Segundo a especialista regional em temas de Gênero da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Lia Abramo, a mulher ganha 30% a menos que o homem.
O IBGE confirma que as mulheres têm salários menores em todos os níveis de escolaridade. Em 2003, os homens com até três anos de estudo recebiam, em média, um salário de R$ 343,30 contra R$ 211 pagos às mulheres com o mesmo nível de escolaridade. Para aqueles com grau de instrução entre oito a dez anos de estudo, o salário médio pago foi de R$ 631,70 contra R$ 350,60 pagos às mulheres. Acima de 11 anos, a pesquisa mostra que a relação permaneceu inalterada. As mulheres recebiam 58,6% do rendimento dos homens com a mesma escolaridade.
Para o professor de economia da Universidade de Brasília (UnB), Carlos Alberto Ramos, especialista em estudos sobre a mulher no mercado de trabalho, a tendência brasileira é reduzir a discriminação:
- Porque o problema é biológico, mas também cultural. No Japão, o papel da mulher na sociedade, historicamente, é a reprodução. Há países árabes onde a mulher não pode dirigir u