Rio de Janeiro, 06 de Novembro de 2026

Mulheres enfrentam altos índices de feminícidio e mortalidade materna

Terça, 20 de Setembro de 2011 às 11:48, por: CdB

A RepúblicaDominicana registrou, até o momento, 155 feminicídios e 99 mortes maternas, o que soma 254dominicanas mortas apenas neste ano. Em 2010, 200 parturientes faleceram e 210mulheres foram vítimas de feminicídio, segundo a Procuradoria Geral.

Analisando135 países, o III Relatório InternacionalViolência contra a mulher nas relações de casais, elaborado pelo CentroRainha Sofia, apontou a República Dominicana como o país com maior número deassassinatos de mulheres no âmbito doméstico. São 22 mulheres assassinadas acada milhão, enquanto no Panamá são 15 e no Porto Rico, 12. De acordo com odocumento, o feminicídio cresceu na América Latina entre os anos 2000 e 2006,principalmente na República Dominicana.

Para adiretora executiva do Coletivo Mulher e Saúde, e conselheira consultiva da Redede Saúde das Mulheres Latino-Americanas e do Caribe, Sergia Galván, as mulheresestão em risco, em uma situação que caracterizou como "urgência nacional”.Devido a isto, pediu ao Estado que encare os feminícidios e mortes maternas comoassunto de governo, mobilizando todas as instituições para o combate.

Ela defende adestinação de recurso específico para a prevenção da violência de gênero,ressaltando que a problemática não tem impactos apenas para mulheres, mas parahomens, que são presos, crianças, que ficam órfãs, e toda a comunidade.

"A grandepreocupação é que [o feminicídio] é a principal causa de morte em mulheresneste momento”, frisou, acrescentando que as vítimas são geralmente mulheresbastante jovens, com menos de 34 anos.

Sobre a mortalidade materna no país, de 159 para cada 100 mil nascidos vivos,Sergia destacou que a maioria dos casos é evitável. "Este número elevado demortes maternas está associado à má qualidade de serviços, falta de puniçãopara as más práticas, a penalização absoluta do aborto, assim como falta departicipação dos atores da sociedade civil e das comunidades nos mecanismoshospitalares de mortalidade materna”, pontuou.

A feminista enfatizou ainda a necessidade de investigar a alta incidênciadessas mortes em alguns lugares específicos, como Distrito Nacional, Santo Domingo, Santiago, San Pedro de Macorís, Monte Plata, SanCristóbal, La Romana, La Altagracia e Monseñor Nouel.

Reforçando a hipótese da má qualidade do atendimento às gestantes, a diretorado Seguro Nacional de Saúde (Senasa), Altagracia Guzmán Marcelin, revelou, noinício deste ano, que pode "garantir que cerca de 99% dos casos de mortesmaternas se podem evitar”. Entre os problemas, citou despreparo médico e máqualidade dos materiais utilizados. Altagracia afirmou que inclusive as mortesde gestantes cardiopatas são evitáveis.

De acordo com informaçõesoficiais do ministro da Saúde Pública, Bautista Rojas Gómez, o governo está tentandodiminuir o índice de mortalidade materna, que este ano deve ficar em 120 casos,ao invés dos 200 registrados em 2010.

Dados

Segundo relatório daProcuradoria Geral dominicana, entre 2005 e agosto de 2009, registrou-se 867feminicídios. No primeiro semestre de 2009, de acordo com a Agência de Notíciasda Mulher da América Latina e Caribe (SEMlac), houve 5.100 queixas contrahomens violentos, apenas na cidade de Santiago (província de mesmo nome), quetem 2,5 milhões de habitantes. Até maio deste ano, Santiago registrou 1.800queixas de agressões físicas contra mulheres.

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