Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Mulheres apresentam programas em nova TV árabe

Segunda, 12 de Janeiro de 2004 às 20:16, por: CdB

A Arábia Saudita inaugurou um canal de jornalismo por satélite que visa mostrar ao mundo uma nova imagem do país, retratado no Ocidente como reduto de militantes muçulmanos, anunciou na segunda-feira o diretor da nova emissora.

A emissora Ikhbariya, inaugurada no domingo pela primeira apresentadora de notícias do país, vai transmitir em árabe durante 12 horas por dia, disse o diretor Mohammad Barayan. Num segundo momento, a programação será estendida para 24 horas por dia.

- Queremos falar ao mundo sobre nosso país, divulgar uma nova imagem dele - disse Barayan. "A mídia norte-americana (...) divulgou coisas sobre a Arábia Saudita que não são verdade, como, por exemplo, dizer que a Arábia Saudita não está combatendo o fundamentalismo."

A Arábia Saudita vem sendo fortemente criticada pela imprensa norte-americana desde os ataques de 11 de setembro de 2001. Quase todos os sequestradores dos aviões envolvidos nesses ataques eram sauditas.

Críticos dizem que o país vem impulsionando a militância islâmica na medida em que vem promovendo o sentimento anti-ocidental nas escolas, dando uma plataforma para clérigos radicais e não brecando o fluxo de dinheiro para grupos extremistas. As acusações são negadas pelas autoridades, que dizem estar reprimindo os militantes com determinação.

Riad enfrenta uma onda de ataques que se suspeita venham sendo cometidos por militantes muçulmanos que estariam ligados à Al Qaeda, de Osama bin Laden. Ataques suicidas já deixaram mais de 50 mortos no país desde maio de 2003.

Barayan disse que o canal pertencente ao governo vai corrigir as percepções falsas, incluindo algumas sobre o papel das mulheres sauditas.

Numa atitude inovadora no reino muçulmano profundamente conservador, o primeiro boletim jornalístico transmitido pela nova emissora, no domingo, foi apresentado por uma mulher, Buthaina Al Nasr, usando modestos casaco branco e lenço preto na cabeça.

"Algumas das coisas que dizem sobre as mulheres em meu país não são verdadeiras", disse Barayan. "Esta emissora terá mulheres apresentando as notícias e vai comentar questões sociais ligadas às mulheres."

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