Rio de Janeiro, 10 de Setembro de 2026

Mulheres ainda buscam a igualdade

Sábado, 06 de Março de 2004 às 07:10, por: CdB

Na Atenas da antigüidade, as mulheres deviam ser plenamente submissas a seus maridos. Excluídas de quase tudo, tinham um papel secundário, escravizadas por seus parceiros. Assistir aos eventos esportivos em homenagem aos deuses do Olimpo, então, era toda uma afronta. A punição para quem se arriscasse era a morte.

De volta à capital grega 108 anos depois de sua recriação, os Jogos Olímpicos ainda assistirão a um espetáculo de exclusão que, torneio após torneio, está se aproximando da extinção. Ainda assim, ele segue expressivo: oito países, por questões religiosas, não aceitam mulheres em suas delegações.

Arábia Saudita, Bahrein, Botsuana, Emirados Árabes, Ilhas Virgens, Kuait, Catar e Omã, coincidentemente, também não aparecem entre as nações com maior poderio esportivo.

A religião não pode, porém, carregar toda a culpa pelo preconceito ainda vigente. Pelo contrário: a própria história do movimento olímpico nasceu vinculada à idéia de que mulher, para o bem geral dos maridos, deveria ficar em casa.

O Barão Pierre de Coubertin, até este ano considerado o idealizador dos Jogos na era moderna (sua participação na recriação do evento passou a ser questionada por historiadores), era contrário à presença de mulheres nos Jogos.

Primeiro presidente do Comitê Olímpico Internacional, Coubertin deixou o cargo após a Olimpíada de Paris/1924, da qual 136 mulheres participaram. Entre os motivos alegados, estava sua desilusão com o crescente número de competidores do sexo oposto nas provas.

A inclusão feminina nos Jogos só ocorreu a partir da segunda Olimpíada moderna. Em Paris/1900, 19 mulheres começaram a escrever uma nova história no esporte mundial, superando até mesmo a oposição do Barão Pierre de Coubertin.

O presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), o belga Jacques Rogge, prevê que as mulheres representarão 44% do total de atletas em Atenas. Em dez anos, os sexos estarão em pé de igualdade nos Jogos.

As 4.069 mulheres que competiram em Sydney/2000 eram 38,2% do total de atletas naquela Olimpíada. "Há oito anos, em Atlanta, havia 26 delegações compostas unicamente por homens, seguidas das nove de Sydney", lembrou Rogge. Em Barcelona/92, 35 países foram representados apenas por homens. Boa parte deles, é verdade, porque suas atletas não conquistaram os índices exigidos para competir.

A exclusão é um apenas um obstáculo que, desde 8 de março de 1857, tornou-se público. Anos antes da primeira Olimpíada da Era Moderna (realizada em 1896), um grupo de operárias de Nova York protestou contra os baixos salários e as más condições de trabalho. Um incêndio numa tecelagem tinha vitimado 130 operárias. A data é lembrada até hoje como o Dia Internacional da Mulher.

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