Uma das marcas singulares destas manifestações contra as ditaduras árabes e pró-democracia (leiam o Destaque no alto do blog) é a presença centenas de milhares de mulheres nas ruas e praças em todos pelos quais as rebeliões se alastraram.
Comparecem com suas vestimentas tradicionais - o xador, a burga, o icharb - tão abjuradas pelo presidente francês Nicolas Sarkozy, numa prova inconteste de que, como diz o ditado popular, o traje não faz o monge. Sarkozy chegou a legislar a respeito e a proibir, por exemplo, que usem na França o tradicional chale com que cobrem a cabeça.
Aqui no Oriente Médio, agora, estas mulheres arriscam a vida lutando por liberdade. É um fato que deve nos levar a uma reflexão sobre o preconceito religioso e racial, bem como sobre a exploração da questão religiosa, tão utilizados hoje pela direita em todas as partes do mundo. Exploram-nos na tentativa de esconder o seu fracasso e a falta de propostas para tirar seus povos da crise a que ela mesmo os conduziram.
Pelo visto, e pelo que se observa no Oriente Médio, as mulheres assumiram e estão na vanguarda também no mundo árabe. Com ou sem suas roupas tradicionais, elas demonstram aqui serem uma luz de esperança de melhores dias e de paz para toda a humanidade.