Mulher perde 160kg após sofrer abusos pela obesidade
Zaneta Jones é uma britânica que vive na Cornualha e, depois de uma cirurgia bariátrica, perdeu 160 quilos. Mas, antes de passar pela cirurgia, ela sofreu abusos e teve até fezes de cachorro atiradas contra ela. Antes de fazer a cirurgia, Zaneta sofreu o chamado "fat shaming", o abuso de pessoas obesas.
Zaneta em fotos que mostram o antes e o depois da cirurgia
Zaneta Jones é uma britânica que vive na Cornualha e, depois de uma cirurgia bariátrica, perdeu 160 quilos. Mas, antes de passar pela cirurgia, ela sofreu abusos e teve até fezes de cachorro atiradas contra ela. Antes de fazer a cirurgia, Zaneta sofreu o chamado "fat shaming", o abuso de pessoas obesas.
Ela foi acusada em um jornal de circulação nacional de desperdiçar os recursos do NHS, o serviço de saúde pública da Grã-Bretanha.
Ela se lembra dos insultos que recebeu.
- Meu filho sofreu um acidente jogando futebol americano e foi levado para o hospital. Quando passamos pela porta, as pessoas começaram a falar 'vocês são aquela família do jornal, vocês não deveriam poder entrar aqui, vocês desperdiçaram o dinheiro do NHS, meu pai não conseguiu o tratamento de câncer que ele precisava' - contou Zaneta.
- Saí e fui me sentar no carro, estava assustada demais para entrar (no hospital).
- Ao mesmo tempo, jogaram cocô de cachorro dentro de sacolas plásticas em nós. Fomos chamados de escória da Terra. Foi preciso muito para que voltar a sair de novo - acrescentou.
Remédio para emagrecer
Como muitas pessoas com obesidade, Zaneta sofria com problemas psicológicos e emocionais. Quando era criança, na década de 1970, deram a ela remédios para emagrecer, na tentativa de evitar os problemas cardíacos que eram comunos na família.
O acesso à comida também era restrito para ela.
Quando Zaneta começou a trabalhar aos 16 anos, ela se rebelou contra a dieta forçada e seu peso aumentou muito.
- Quando pesava mais, cheguei a 254 quilos e meu IMC (índice de massa corporal) era de 85 - disse. Um IMC considerado saudável varia entre 18,5 e 24,9.
O que começou como uma rebelião adolescente acabou com complicações de saúde que afetaram até a fertilidade de Zaneta.
- Tentei dietas bobas como a dieta da sopa de repolho, coisas assim. E todas as vezes perdia entre 2,5 e 4,5 quilos e pensava que não era nada perto de 254 quilos, e desistia.
A britânica tentou até travar a mandíbula em um procedimento médico. Ela lembra que "foram 18 meses com apenas meio litro de leite desnatado e meio litro de suco de laranja por dia".
- Sim, você perde peso, eu perdi mais de 63 quilos em 18 meses, mas eu tinha que fazer uma cirurgia (de tratamento) de infertilidade e não consegui pois estava 1,36 quilo acima do peso, então, eu engordei quase 70 quilos - afirmou.
Nesta época, Zaneta usava roupas masculinas, pois não conseguia achar nada em seu tamanho nas lojas femininas.
Ela sofria de diabetes, tinha problemas de visão e nos rins, colesterol alto e apneia do sono e conseguia andar apenas de cadeira de rodas, devido ao excesso de peso.
Jornal
Mas, ao invés da solidariedade das pessoas, o peso de Zaneta foi destaque em um jornal de circulação nacional no qual ela e a família foram acusados de desperdiçar 1,2 milhão de libras (cerca de R$ 4,5 milhões) em tratamentos para emagrecimento.
Zaneta alega que nunca foi entrevistada diretamente pelo jornal e que vários detalhes importantes, incluindo os custos de seus tratamentos, não eram precisos.
Mesmo assim, não foi o abuso sofrido depois do artigo no jornal que levou à mudança. Foi o medo de morrer.
- O maior choque foi quando fui a endocrinologista saber sobre minha diabetes, e ela disse que se eu não fizesse alguma coisa, não estaria viva no final do ano. Ela me encaminhou para uma cirurgia bariátrica - contou.
Antes da operação, feita há seis anos, Zaneta tinha que reduzir o IMC de 85 para 60 e, para ajudá-la na dieta antes da cirurgia, a britânica viveu com um balão dentro do estômago durante nove meses, o que reduzia a quantidade de comida que ela podia ingerir.
O balão foi removido antes do Natal e ela teve seis semanas para o estômago se recuperar antes da cirurgia.
- Você pode imaginar o que foi, para uma pessoa viciada em comida, ter de ver o que você está habituado a comer (e não poder comer). Foi tortura - afirmou.
Mas ela conseguiu manter o peso sob controle e fez a cirurgia.
Agora, a diabetes tipo 2 que Zaneta sofria está em remissão e os outros problemas de saúde quase desapareceram. Ela não precisa mais de uma cadeira de rodas para se movimentar.
Tags:
Relacionados
Edições digital e impressa
Utilizamos cookies e outras tecnologias. Ao continuar navegando você concorda com nossa política de privacidade.