A mulher do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, Renilda Maria Santiago Fernandes de Souza, vai depor na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios na próxima terça-feira, a partir das 10 horas. Sócio das agências de publicidade SMPB e DNA, Marcos Valério é acusado de ser operador do suposto esquema de pagamento de "mensalão" pelo PT a deputados da base aliada.
Oficialmente, Renilda é a proprietária das duas empresas de publicidade utilizadas por Marcos Valério para a movimentação de cerca de R$ 30 milhões. Os recursos são apontados por integrantes da CPMI como uma das prováveis fontes para o pagamento do "mensalão".
Na última quarta-feira, o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Nelson Jobim, acolheu pedido do procurador-geral da República, Antonio Fernando Barros e Silva, e determinou o bloqueio de R$ 1,89 milhão na conta bancária de Renilda de Souza. O bloqueio preventivo já havia sido solicitado pela CPMI dos Correios na semana anterior. Os dois pedidos foram feitos depois que a mulher do empresário tentou sacar cerca de R$ 2 milhões de uma conta particular. A movimentação chamou a atenção do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que encaminhou relatório informando que haveria um resgate na conta.
Outros depoimentos
No dia 2 de agosto, serão ouvidos a funcionária da SMPB Simone Vasconcelos e o policial civil David Rodrigues Alves. Os dois são apontados como os maiores sacadores de recursos de contas das empresas de Marcos Valério, totalizando mais de R$ 10 milhões. As convocações foram aprovadas nesta quinta-feira pela CPMI após mais de três horas de discussão a portas fechadas.
Sem acordo
Na reunião, os parlamentares recusaram uma proposta de acordo com Marcos Valério, que passaria mais informações à CPMI caso sua mulher não fosse convocada. Para o deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), o acordo é inviável e o próprio empresário terá de depor novamente. "Ele tem o dever de dizer a verdade, independentemente de sua mulher vir depor à CPI. Não é necessário acordo para que consigamos isso", observou.
Habeas corpus
O presidente da CPMI, senador Delcidio Amaral (PT-MS), está otimista em relação ao depoimento de Renilda de Souza, mesmo com a possibilidade de ela comparecer protegida por um habeas corpus. "Ela vem em situação diferente, pois já passamos pelos principais depoentes. Agora teremos depoimentos mais amplos, abrangentes e sinceros", espera. A concessão de habeas corpus para os depoentes por parte do Supremo Tribunal Federal (STF) também foi discutida nesta quinta-feira pelos integrantes da comissão. Houve um entendimento geral de que a medida cautelar é um direito dos investigados assegurado pela Constituição.
Sumiço de documentos
A CPMI dos Correios aprovou ainda a instalação de uma comissão de sindicância, que será formada por três integrantes, para apurar o sumiço de documentos sigilosos, fato ocorrido duas vezes nas últimas semanas. Os parlamentares decidiram que, a partir de agora, representantes do Ministério Público Federal passarão a acompanhar os depoimentos.
Mulher de Marcos Valério vai depor na CPMI na terça-feira
Sexta, 22 de Julho de 2005 às 08:08, por: CdB