O país da esperança, o povo que sabe sonhar e se unir na torcida para ganhar uma copa do mundo, agora sente a decepção da derrota num jogo decisivo que colocou seu time pra fora do campeonato mundial. No sábado, primeiro de julho, a seleção da França venceu a equipe brasileira que, segundo os entendidos de futebol, jogou muito mal. Não me sinto com a autoridade de avaliar o desempenho dos nossos jogadores nessa copa, mas tenho a impressão de que não jogaram bem. A maioria dos torcedores, pessoas que acompanham efetivamente o mundo do futebol, dizem que a seleção brasileira não saiu como se esperava. O que mais se ouve dizer, é que o time comandado por Parreira frustrou as expectativas. E de fato, dava para perceber que se tratava de um grande time, cheio de estrelas do futebol. Mas, desde o primeiro jogo, mostrou um desempenho ruim. E quando vi que a França estava afastando a chance de a seleção do Brasil continuar na copa, lembrei-me da musica de Raul Seixas que diz: "Sei que até que parece sério, mas é tudo armação. O problema é muita estrela pra pouca constelação".
Um conjunto de estrelas que, realmente brilham juntas, forma uma constelação. Mas quando as estrelas não são de verdade, são apenas aparentes estrelas sem constelação, juntas não fazem diferença alguma no cenário em que estão colocadas. Dizer que o problema da nossa seleção é "muita estrela pra pouca constelação", é dizer que os melhores jogadores do mundo não foram capazes de se conectarem, de se articularem para que, com o brilho de cada um, formassem uma verdadeira constelação. Parece que aquela era a seleção da mídia, das agências de propagandas e não uma equipe de bons jogadores selecionados, convocados para jogar em defesa do Brasil. Claro o futebol não é tudo e não podemos ficar lamentando a perda de uma copa do mundo, mas podemos refletir sobre esses acontecimentos e através deles ver outros fatores da nossa vida.
Além da nossa seleção de futebol, outros grupos que deveriam defender o Brasil, ficam apenas fazendo barulho e ocupando espaços na mídia sem nada contribuir com nosso país. Temos, por exemplo, o Congresso Nacional, onde um quer ser mais ético que o outro, quando na verdade muitos (a maioria) passam longe da ética e da coerência. Lá se faz alarde por qualquer coisa mesmo. Tudo é motivo para aparecer, virar notícia e brilhar na TV e nas páginas de jornal. Poucos realmente trabalham pelo Brasil, mas gastam demais, fazem muita farra e são o centro das atenções. Inventam CPIs, fazem de conta que estão julgando, condenado, afastando os culpados e desvelando os caminhos da corrupção, mas na verdade é bem como diz a musica do Raul:
- Sei que até que parece sério, mas é tudo armação. O problema é muita estrela pra pouca constelação.
Que na próxima copa do mundo sejam convocados jogadores capazes de unirem em torno do objetivo e da expectativa do povo brasileiro. Pessoas que saibam somar com suas energias para ver o Brasil brilhar. E não apenas quem se preocupa com fama pessoal, dinheiro e status. Que nas eleições desse ano possamos eleger uma seleção de brasileiros sérios, éticos, coerentes, que possam atender as exigências do povo brasileiro. Não que seja um grupo de iluminados, mas pessoas simples que estejam dispostas a prestar um serviço ao seu povo e não simplesmente ocupar um cargo. Política é arte de trabalhar pelo bem comum. Eleição deve ser a arte de saber escolher quem possa servir ao bem comum.
Frei Pilato Pereira (pilato@capuchinhosrs.org.br)