Rio de Janeiro, 15 de Agosto de 2026

Mudar sem mudar

Sábado, 05 de Fevereiro de 2011 às 07:11, por: CdB

O que está em jogo no Egito não é a sobrevivência de Hosni Mubarack e de seu regime, mas a forma e o tempo da transição e, principalmente, que forças políticas e sociais a controlam e que governo virá depois da saída do ditador. Está claro que os Estados Unidos, o próprio regime, as forças conservadoras e ditatoriais na região, começando pela Arábia Saudita, querem uma transição por cima, lenta, segura e gradual. Assim, poderão controlar as reformas e evitar um governo que ponha fim ao quase protetorado que os Estados Unidos exercem sobre o Egito, particularmente sobre as Forças Armadas e a política externa, além de não permitir reformas econômicas e sociais que afetem seus interesses no país e na região.

A questão da Irmandade Muçulmana é apenas um pretexto, que os Estados Unidos e a mídia mundial super dimensionam para esconder seus reais objetivos, uma transição por cima, negociada, que mantenha o básico do regime de Mubarack, mudar sem mudar. Uma experiência que já vivemos no Brasil, quando da transição lenta, segura e gradual de Geisel e da campanha das diretas com seu desenlace no colégio eleitoral e não nas ruas e em eleições diretas para presidente e para uma constituinte exclusiva, como a imensa maioria do país reivindicava e desejava.

A oposição no Egito está diante do dilema de derrubar o regime nas ruas ou com uma greve geral insurrecional, se é que tem forças para isso; ou negociar uma transição que pode manter o básico do atual regime com eleições e democracia, uma democracia que dependerá das reformas política e eleitoral a serem negociadas.

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