Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Mudanças climáticas

Terça, 28 de Junho de 2011 às 07:56, por: CdB

Oimpressionismo não faz ciência. No máximo, levanta perguntas. Ouve-se amiúdeque o clima já não respeita as clássicas regras das estações, ora provocandocalores insuportáveis ora gelando regiões não afeitas ao frio. Que passa? Asinterpretações variam.

Asduas versões mais conhecidas frequentam os extremos. Para uns nada está aacontecer de grave. Situações semelhantes houve em tempos passados e sereproduzem em largos períodos. Pesquisam dados antigos, refazem mapas daevolução da Terra para dizer que esses frios e calores excessivos não ameaçam asobrevivência da humanidade. Apóiam-se em dados científicos. Nada a temer.Continuemos a mesma festa.

Paraoutros, a situação caminha para irreversível destruição de toda a vida. Oaumento de dois graus Celsius cai ainda sob o controle do ser humano. Secrescer para além desse limite, as mudanças escapam de nosso controle, eentramos em perigosa zona de turbulência para a sustentabilidade do sistema-Terra.Aqui se invocam autoridades científicas, apõem-se dados de pesquisas, cercam-sede cientificidade as demonstrações.

Quefaz um leigo no assunto? Não alcança discutir com as autoridades aduzidas emambas as posições. Desconfia, com razão, de interesses ideológicos que seinfiltram nas pesquisas, tanto na escolha do campo, quanto na interpretação dosdados.

Oagrobusiness discursa sobre a importância da produção de grãos em quantidademontanhosa para alimentar uma humanidade em crescimento na ordem dos seisbilhões. E, para tais plantações, sacrificam-se cerrados, matas, nascentes deágua, além da poluição de lençóis freáticos e do solo que se envenena. Não lheinteressa nenhuma restrição à sua expansão, antes açula-a com estatísticasimportantes sobre a produção de alimentos. Ridiculariza o julgado discursoalarmista dos ecologistas.

Porsua vez, mesmo aceitando grosso modo o arrazoado dos defensores da natureza,achaca-se-lhes certo fanatismo, vedetismo, naturalismo ideologizado eidealizado.

Aética clássica, que nem sonhava com tais problemas, elaborara um princípio quetalvez sirva. Defendia em relação à vida o tutiorismo. Este termo inexiste nosdicionários. Origina-se da forma comparativa - tutior - do termo latino tutusque significa seguro. Portanto, tutior quer dizer mais seguro. A posição éticapede que se siga a opinião mais segura toda vez em que estiver em jogo a vida.

Assim,posiciona-se, por ser mais seguro, ao lado dos críticos ao sistema atual noreferente às mudanças climáticas por estar em jogo a vida da humanidade.

Comefeito, se há argumentos pesados confirmando o risco para a manutenção da vidapor causa das mudanças climáticas, a ética exige que se tomem medidas paraevitá-las. E, como a causa principal do aquecimento se encontra no modelo dedesenvolvimento implantado, contra ele se voltam as exigências éticas demudança.

[DeJ. B. Libanio, leiam também "A religião no terceiro milênio”, e não deixem devisitar o site www.jblibanio.com.br].

Tags:
Edições digital e impressa