Rio de Janeiro, 11 de Setembro de 2026

Muçulmano diz que Al-Qaeda é autora dos atentados

Sexta, 12 de Março de 2004 às 19:21, por: CdB

O xeque Omar Bakri Mohammed, chefe espiritual do grupo islâmico Al Muhajirun, considerado próximo a Osama Bin Laden, assegurou que "não há dúvidas de que foi Al-Qaeda" a autora dos atentados de desta quinta-feira em Madri, onde 199 pessoas morreram e 1,4 mil ficaram feridas.

Em declarações feitas em Londres à agência italiana Ansa, Bakri expressou sua convicção de que é autêntica a carta enviada ao jornal "Al Quds al Arabi", assinada por um grupo ligado à Al-Qaeda, e de que os atentados na capital espanhola são uma mensagem deste grupo terrorista "ao mundo inteiro".

O chefe islâmico desmentiu a hipótese americana de uma conexão entre a ETA e os grupos fundamentalistas islâmicos, ao ressaltar que isto "é simplesmente impossível". "Embora seja uma organização muito ramificada, a Al-Qaeda não quer ter absolutamente nenhum tipo de relação com pessoas que não sejam muçulmanas", acrescentou. "E mais", disse, "só poucos muçulmanos podem combater na guerra santa, os puros que não bebem e não fumam e que respeitam plenamente as ordens do Islã".

Bakri deu a entender que a Itália pode ser o próximo alvo dos grupos da Al-Qaeda na Europa, ao se referir ao comunicado atribuído às Brigadas Abu Hafs al Masri, ligadas à organização de Bin Laden. "O "Trem da Morte" já chegou na Espanha", esclareceu o líder islâmico, "mas agora faltam o "Vento da Morte Negra" nos Estados Unidos e a "Fumaça dos Esquadrões da Morte" na Itália".

"O que me surpreende é que as autoridades italianas não levam a sério as ameaças e não retiram suas forças dos países muçulmanos", disse Bakri, que acrescentou: "Basta olhar o exemplo espanhol para entender isso..."

Segundo o xeque sírio, que vive em Londres há 11 anos, "a pessoas da Al-Qaeda não brincam, são sérias e estão prontas para atuar, como aconteceu no Quênia, na Tanzânia, nos Estados Unidos, no Iêmen e na Turquia".

O líder da Al Muhajirun assegurou que os membros da Al-Qaeda "brigam por uma causa justa e não deixarão de combater sem antes ter libertado suas terras ou se tornarem mártires", razão pela qual convidou os governos ocidentais a retirarem seus contingentes militares do Iraque.

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