O primeiro compromisso do novo ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, nesta sexta-feira, foi uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele teve oportunidade de comentar a divisão do ninho tucano, exposta na convenção nacional do PSDB, no discurso do governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima, favorável à manutenção do "imposto do cheque".
José Múcio informou que uma de suas primeiras tarefas será conversar com todos os senadores, para que seja aprovada a proposta de emenda à Constituição (PEC) que prorroga a cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF) até 31 de dezembro de 2011. E disse acreditar que há tempo para aprovar a matéria até o final do ano.
– Vou continuar o trabalho do ministro (Walfrido dos Mares Guia), que conversou com todos os senadores. Tenho absoluta certeza de que o presidente (Luiz Inácio Lula da Silva), que é o gestor, que é o responsável por tudo isso e é quem tem a responsabilidade da gestão, irá entrar nessas conversas e tudo terminará bem – disse José Múcio.
De acordo com o novo ministro, "a prorrogação da CPMF não é questão do governo Lula, dos senadores, dos deputados – é do povo brasileiro, serve a todos". Ele acrescentou:
– É um imposto imprescindível no momento. Imposto não é uma coisa simpática, senão seria espontâneo. Já começa antipático do nome, mas é necessário. O orçamento brasileiro não pode prescindir de R$ 40 bilhões no momento – afirmou.
Apoio improvável
José Múcio recebeu de uma fonte improvável, também nesta sexta-feira, o reforço de um governador tucano para a aprovação da CPMF. Durante a convenção nacional do PSDB, o governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima, criticou os senadores de sua bancada por não votar pela manutenção do "imposto do cheque".
– Você tem cinco governadores defendendo a manutenção da CPMF e a bancada do PSDB (no Senado) faz ouvido de mercador para isso. Estamos diante de um impasse grave para nos organizar – disse Cunha Lima.
O governador também afirmou que seria uma "incoerência" o PSDB criticar a prorrogação da CPMF, pois foi o próprio partido criou a contribuição, ainda na gestão FHC.
– A minha posição é algo que não pode faltar ao PSDB: coerência. Se o Alckmin tivesse sido eleito, essa discussão da CPMF não estaria existindo [no partido]. Nós criamos o imposto, não fica bem adotar uma posição contraditória – enfatizou o governador.
Indagado sobre o posicionamento de alguns senadores, que afirmaram que ele não tem espaço para negociar a aprovação da matéria no Senado, o novo ministro disse que vai procurar todos eles:
– Vou procurar que me cedam espaço. Política é a arte de conversar. Você não pode fechar a porta nunca. Evidentemente que eu não posso ter espaço no Senado, porque eu militei durante todos esses anos na Câmara, mas tenho bons amigos no Senado e tenho absoluta certeza de que serei ouvido e vou estar defendendo uma causa justa. Vou procurar construir esse espaço com a ajuda desses que disseram que eu não tenho espaço – adiantou.
José Múcio disse acreditar que dá tempo par